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Como FinOps ajuda a sua empresa a entender os gastos com a nuvem?

09/11/2020

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Disciplina FinOps vai permitir que líderes de Negócios e de TI tenham visibilidade dos gastos com nuvem, permitindo previsibilidade e otimização de recursos.

A computação em nuvem é um fator de inovação nas empresas. Apesar de muitas já estarem maduras no desenvolvimento de infraestrutura e soluções em um ambiente cloud, ainda há um desafio diário: o gargalo financeiro. Se isso faz parte da sua rotina, a prática FinOps pode fornecer um maior domínio dos gastos com a tecnologia.

Porém, o que é FinOps?

Essa disciplinasegue a mesma premissa de DevOps. Se em DevOps temos a integração entre o time de desenvolvimento e o de operações, em FinOps, a área de negócios entra na jogada para que a tecnologia de nuvem seja usada de forma que permita a inovação, mas sem comprometer o orçamento.

Ainda mais nesse período de Black Friday, ali no próximo dia 27 de novembro. Muitas empresas já devem ter contratado infraestrutura em nuvem adicional para manter a disponibilidade do site de e-commerce, dos sistemas de pagamento, entre outras questões. Porém, os gerentes financeiros só terão uma noção desses gastos após passada a data.

“Em tempos de Black Friday, a jornada em nuvem passa por adoção de tecnologias e ferramentas para manter o e-commerce funcionando. Mas ninguém se pergunta como é que controla e paga esses gastos ao usar os recursos da tecnologia. Daí o FinOps para trazer governança e controle”, comenta Andrezza Herrero, gerente de produtos Cloud e Multicloud da Embratel.

FinOps: entendendo melhor o conceito

Para entender o que é FinOps, é preciso entender o que a disciplina não é: “não é gestão financeira, nem gestão de custos”, explica a gerente. Essa metodologia se baseia em alguns pilares, entre eles “recuperar a autonomia de uso e custo da nuvem”, “ter controle dos gastos” e “ter visibilidade dos gastos”.

É deixar de ser reativo (entender a fatura após o consumo de nuvem) para proativo (saber o modelo de faturamento do provedor para definir a gestão de controle e redirecionar o orçamento de acordo com a demanda de cada área pela tecnologia). “As empresas que apostam na Black Friday estão há anos aprendendo como uma fatura funciona”, conversa Andrezza.

No entanto, a gerente explica que os e-commerces continuam reativos, uma vez que tomam uma decisão baseada nos gastos com a data do ano anterior, gerando um crescimento sem controle dos recursos e do orçamento. Essa falta de previsibilidade não permite uma decisão mais assertiva nas estratégias para a Black Friday.

Para exemplificar a importância do FinOps, pense em uma empresa alocada em um prédio de cinco andares. Todo mês, o time financeiro não consegue encontrar formas de economizar nos gastos com energia, já que a conta não possui discriminação de quais andares e setores consomem mais a rede elétrica.

Então, como decidir a melhor estratégia para economizar neste gasto? Campanha para desligar o computador ao sair? Verificar luzes acessas? Restringir o uso do ar-condicionado ou do elevador?

A importância de entender a fatura do provedor de nuvem

A falta de controle dos gastos com nuvem é um problema para muitos gerentes. A pesquisa Nutanix Cloud Index 2018 mostrou, quanto ao gerenciamento do orçamento de cloud, que:

  • 35% estão acima do orçado.
  • 57% dentro do orçado.
  • 6% abaixo do orçado.

“Porém, outra pesquisa da 451 Research afirmou que 80% de 300 líderes financeiros e de TI acreditam que a falta de um gerenciamento financeiro na nuvem causou impacto negativo nos negócios”, comenta Andrezza.

Segundo a gerente, a fatura pode se tornar uma dor de cabeça para esses líderes devido a difícil compreensão. “Não é como a fatura de um celular, onde já vem discriminado o serviço de voz, o de dados e outros de forma separada. A fatura de um provedor de nuvem é complicada”, ressalta.

Para se ter uma noção, uma fatura de um serviço em nuvem pode ser uma planilha Excel enorme ou ser alimentada em um disco ou storage, devido ao seu tamanho. Mesmo assim, já existe um movimento do mercado de nuvem para adaptá-la para uma linguagem mais de negócios. Tanto que os provedores passaram a fornecer mais detalhes no documento.

Por exemplo, uma fatura agora mostra o quanto uma empresa usou de máquinas virtuais (MVs), quantas foram de arquitetura do tipo 2, storage do catálogo, entre outras informações. “Quando os líderes aprendem a interpretar esses dados, eles passam a entender como usá-los para responder a questões futuras, a tomar decisões em tempo real”, diz Andrezza.

Como o FinOps ajuda nessa interpretação

A palavra de ordem em FinOps é “visibilidade”. Trabalhar esta disciplina dentro de uma organização é conhecer o que se usa da computação em nuvem, como se usa, para o que usa e por quem. Por isso, na opinião de Andrezza, é preciso criar uma linguagem que Negócios e TI entendam, para que cada área saiba qual o impacto uma tem sobre a outra.

Como a gerente destaca, alinhar esses dois mundos é essencial para a prática de FinOps, já que a disciplina é cíclica e não apenas uma ação pontual. Tanto que a metodologia se baseia em três pilares para prover o empoderamento financeiro da nuvem:

  1. Informação: permite a visibilidade. Mostra aos times quais recursos da nuvem são gastos e por quem.
  2. Otimização: identificação e medição de otimizações de eficiência e performance. Por exemplo, dimensionamento correto, características do armazenamento ou melhoria da cobertura de instâncias reservadas.
  3. Operação: definição e execução de processos que vão tornar as metas conjuntas de TI, Negócios e Finanças alcançáveis. Por exemplo, os times podem usar processos automatizados para alimentar um dashboard com gastos e um robô disparar um alerta quando o consumo estiver prestes a chegar em um limite definido.

Claro, criar essa estratégia integrada pode exigir o apoio de uma consultoria para desenvolver as melhores práticas de FinOps, que vão trazer eficiência e resultados. Geralmente essa metodologia pode ser trabalhada de três formas, como detalhamos abaixo:

1. Crawl

Este modelo seria uma introdução ao FinOps. Aqui, uma consultoria vai entender quais são os pontos de dor de uma empresa e montar um sprint para resolvê-los.

O trabalho consiste na coleta de informações e entrega de um relatório com apontamentos sobre quais recursos de nuvem podem ser otimizados e quais podem ser rodados na operação. Neste modelo, 80% do esforço é do cliente, enquanto 20% é da consultoria.

2. Walk

Este segundo método é um esforço conjunto de empresa e consultoria (praticamente 50/50). É aqui que a organização já consegue certa previsibilidade nos gastos com recursos da computação em nuvem.

Essa previsibilidade acontece, porque alguns processos serão automatizados, permitindo um resultado mais sólido para o que o cliente busca. A empresa também, neste modelo, tem mais autonomia na tomada de decisão.

3. Run

Neste último, todo o trabalho de FinOps é feito pela consultoria. Especialistas vão ensinar aos líderes de TI e Negócios como extrair as melhores decisões a partir de processos automatizados. Isso vai trazer maior previsibilidade nos gastos com a tecnologia em nuvem.

Por exemplo, a infraestrutura de um site tem o custo mensal de R$ 10 mil. Porém, o líder de Negócio não sabe se esse orçamento é muito caro ou barato para a Black Friday. A prática FinOps vai devolver essa resposta, uma vez que:

  • Vai levantar informações do passado: o que gastou nos últimos 15 dias.
  • A automação vai dar informações sobre o gasto do dia vigente e uma previsão média para os dias seguintes.

“Se ele tem esse orçamento de R$ 10 mil, mas a automação dos processos possibilita a ele entender que a média, na verdade, é R$ 8 mil, ele sabe em qual parte da infraestrutura acontece essa redução de custo e pode usar os R$ 2 mil restantes para aprimorar outra”, conta Andrezza.

As vantagens dessa disciplina na Black Friday

Muitas varejistas com e-commerce já têm o orçamento destinado para a Black Friday. Porém, “elas sabem que é esse o dinheiro reservado para a data. Geralmente é para o crescimento na infraestrutura para suportar essa sazonalidade”, comenta a gerente da Embratel.

No entanto, sem FinOps, esse orçamento é definido apenas com a dinâmica da última edição. “Mas imprevistos podem acontecer e empresas maduras nessa disciplina conseguem prever e se preparar de maneira estruturada para quaisquer imprevistos”, explica Andrezza.

Isso porque a prática FinOps vai possibilitar diversos relatórios e insights sobre previsões de cenário. Com esses dados, a empresa consegue até mesmo antecipar recursos em nuvem para pagar mais barato ao provedor, não deixando para contratar serviços de última hora.

Outro benefício, como aponta Andrezza, é a defesa do orçamento destinado à nuvem no começo do ano. “Sempre que os times vão defender o orçamento, precisam chutar os possíveis gastos com a tecnologia ao longo do ano. Ao fazer uso de FinOps, as empresas se tornam mais proativas, porque vão ter visibilidade de como os recursos são usados, possibilitando criar um planejamento para se sair bem nas datas sazonais”, conclui.

Principais destaques desta matéria

  • FinOps é uma integração do time de Negócios e de TI.
  • Disciplina vai ajudar empresa a entender gastos com a nuvem e como otimizar a tecnologia.
  • Possibilitando reduzir gastos, mas sem abrir mão da inovação.
  • Confira como FinOps pode trazer melhor planejamento para os e-commerces durante a Black Friday.

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