Transformação Digital

Blockchain: conheça 5 casos de uso no setor financeiro

09/10/2020

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Empresas do setor financeiro devem investir até US$ 5 milhões em Blockchain em 2021. Entenda como elas estão usando a tecnologia a seu favor.

O setor financeiro é um dos líderes na adoção de Blockchain, com investimentos significativos na tecnologia, assim como na expansão de seu uso. Já são diversos casos de uso desenvolvidos pelas instituições, inclusive aqui no Brasil.

No ano passado, a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) e a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) anunciaram a Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN).

O primeiro caso de uso da RBSFN é o Device ID, que usa Blockchain para compartilhar a identificação de dispositivos móveis entre os sistemas antifraude das instituições financeiras participantes da parceria entre FEBRABRAN e CIP.

Assim, os sistemas antifraude dos bancos são alimentados com esses dados, possibilitando avaliar se um aparelho específico é roubado, perdido ou furtado, evitando que o cliente saia no prejuízo.

Um segundo caso de uso de Blockchain estava em andamento ainda em 2019. Chamado de ALIAS, o projeto seria a simplificação da experiência do usuário. Ao cadastrar “apelidos”, o cliente conseguiria enviar pagamentos a partir do CPF, e-mail ou CPF do beneficiário.

A dinâmica lembra o Pix, ecossistema de pagamentos instantâneos do Brasil que será lançado em novembro deste ano. A diferença é que, no Pix, a estrutura do banco de dados é centralizada e fechada. Neste caso, controlada exclusivamente pelo Banco Central.  

Porém, o Blockchain continua em evidência nas instituições do setor financeiro. Um estudo da Deloitte mostrou que 38% das empresas devem investir US$ 5 milhões ou mais na tecnologia em 2021.

Além do exemplo brasileiro do Device ID, empresas de outros países já experimentaram a tecnologia e esperam expandir seu uso. Abaixo, você confere 5 casos de uso de Blockchain, levantados pelo site TechTarget.

1. Blockchain para executar tarefas de forma mais rápida e barata

Transações de pagamentos entre diferentes bancos só acontecem com o intermédio de uma instituição financeira. Isso gera alguns atritos, como a demora de algumas horas para o dinheiro cair na conta ou a compensação de um boleto demorar dias.

O Blockchain pode agilizar essas interações, principalmente a reconciliação bancária. Foi isso que a Associação Bancária Italiana (ABI) conseguiu ao adotar a tecnologia em todo o sistema bancário do país.

Reconciliação bancária é, segundo o FEBRABAN, o “processo operacional em que bancos têm conta dentro de outros bancos para tratar questões de fluxo financeiro”. Esse processo de verificar registros e transações entre instituições pode levar de 30 a 50 dias.

Desde que passou a utilizar a tecnologia, os bancos italianos integrantes do projeto conseguem fazer essa verificação em apenas 24 horas. Para isso, a ABI usou a Corda, plataforma de blockchain com permissão privada da R3, uma empresa multinacional de softwares.

“A solução elimina a dor de conciliar incompatibilidades que costumavam levar dias ou semanas para serem resolvidas. As incompatibilidades agora podem ser identificadas e reconciliadas imediatamente”, disse Charley Cooper, especialista da R3.

2. Apoio a uma rede de software compartilhada entre empresas

Um dos objetivos do Blockchain é estabelecer confiança entre várias partes. Com isso, o setor financeiro pode usar a tecnologia para desenvolver um Network Resource Planners (NRPs), uma espécie de evolução e complemento do ERP.

Um NRP é um sistema de software baseado em Blockchain que ajuda a gerenciar dados e processos entre várias partes interessadas em uma rede de negócios. A solução atua como uma plataforma para que as empresas ofereçam uma experiência mais coesa aos clientes.

Além de padronizar os processos, para deixar todas as instituições na mesma página, um NRP vai criar uma única fonte de verdade para todos os participantes da rede. Isso evita a necessidade de duplicar os dados entre as partes interessadas em transações.

“Estamos vendo que há uma maneira de as empresas se unirem para resolver os problemas dos clientes e criar uma experiência melhor para eles”, disse Ronak Doshi, vice-presidente do Everest Group, consultoria e pesquisa focada em TI estratégica, serviços de negócios e sourcing.

3. Facilitar o rastreamento de fluxo de dados dentro da própria instituição

Instituições financeiras começam a usar o Blockchain também de forma interna, para criar confiança entre os departamentos existentes. Por exemplo, é comum diversos bancos adotarem vários sistemas de registros de clientes.

Porém, ter os mesmos dados em vários sistemas aumenta as chances de discrepâncias não intencionais e representações incorretas intencionais, que podem impactar negativamente os negócios entre o cliente e a instituição.

Ao usar a tecnologia, é possível garantir, para a própria instituição e para órgãos reguladores, que há uma trilha auditável dos dados: da origem ao destino.

“O Blockchain está realmente oferecendo um grande valor empresarial para a movimentação de dados dentro da empresa, protegendo os dados do cliente e cumprindo os requisitos regulamentares”, “, disse Richard Walker, diretor da Deloitte.

4. Manter ativos digitais

O Escritório de Controladoria da Moeda (OCC) dos Estados Unidos emitiu, em julho deste ano, uma declaração afirmando que instituições financeiras devem fornecer serviços de custódia de criptomoeda para clientes.

Serviços de custódia de criptomoeda são fornecedores terceirizados de armazenamento e serviços de segurança para criptomoedas. Dessa forma, as instituições financeiras poderão manter chaves de criptomoedas e novos ativos digitais ao adotar o Blockchain.

Vale só lembrar o que é um ativo digital. É qualquer bem representado de forma eletrônica. Por exemplo, dinheiro na conta corrente ou poupança, título de capitalização, ações compradas etc.

“Muitos bancos têm serviços de custódia para diferentes ativos”, disse Saket Sinha, vice-presidente global de soluções de Blockchain da IBM. “A tecnologia vai permitir a criação de serviços de custódia para ativos digitais como Bitcoin e tokens.”

5. Substituir a moeda física

Ainda não é possível prever quando o mundo vai abandonar a moeda física por ativos digitais. Porém, líderes de instituições financeiras acreditam que esse futuro não está longe. Parte disso devido ao trabalho do setor financeiro com Blockchain.

De acordo com o 2020 Global Blockchain Survey da Deloitte, 83% dos 1.488 entrevistados disseram que “fortemente ou de alguma forma acreditam que [ativos digitais] servirão como uma alternativa ou substituição total da moeda nos próximos cinco a 10 anos.”

Mas, para isso acontecer, será necessária de uma rede distribuída como o Blockchain. Até porque, os investimentos dos bancos para suportar cada vez mais pagamentos digitais e pagamentos em tempo real vão demandar a adoção da tecnologia para validar cada transação.

Principais destaques desta matéria

  • Blockchain é cada vez mais adotado no setor financeiro.
  • No Brasil, bancos utilizam a tecnologia para identificar dispositivos e analisar se um cliente é alvo de fraude.
  • Confira 5 casos de uso da tecnologia que vão mudar a forma como instituições financeiras tocam seus negócios.

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