TI

O que a sua empresa pode aprender com a indústria de videogame?

11/08/2020

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Relatório da consultoria Forrester explora como empresas de vários setores podem se beneficiar da estratégia de nuvem da indústria de videogame.

A indústria de videogame pode ser considerada vanguardista quando o assunto é computação em nuvem. O motivo é simples: os títulos desenvolvidos para consoles e PC exigem o constante uso da tecnologia, aponta um relatório da consultoria Forrester.

De acordo com a consultoria, desenvolvedoras de jogos sempre se apoiaram na nuvem para inovar de maneira constante, assim como realizar a manutenção de workloads (máquina virtuais, banco de dados e aplicações) que funcionem em escala com a tecnologia.

Por sinal, escalar os sistemas é um dos primeiros aprendizados deixados pela indústria de jogos. Se as organizações estão sentindo a necessidade agora de aprimorar os ambientes em nuvem, os desenvolvedores de games já encaravam esse desafio há anos.

Uma estatística levantada pela Forrester é que uma em cada três pessoas no mundo inteiro joga algum título em dispositivos móveis, consoles ou computadores domésticos. Mas, o que isso tem a ver com escalonamento?

Simples. William McKeon-White, pesquisador da Forrester, em entrevista ao site InformationWeek, citou como exemplo o jogo on-line CrossFire. O título da Smilegate tem uma média de 250 milhões de jogadores por mês.

“Quando esses jogadores geram grandes volumes de ações por minuto, isso cria eventos no sistema que precisam ser processados [em tempo real, porque o jogo é on-line e precisa estar conectado sempre à internet]. Se a infraestrutura não for satisfatória para o jogador, ele pode mudar para outro título”, contou ao site.

O que mais a indústria de videogame pode ensinar

Ter uma infraestrutura em nuvem que consiga suportar toda a demanda é um diferencial para qualquer empresa. Um exemplo são os sites de e-commerce, que lançam promoções em datas comemorativas, mas precisam garantir uma jornada de compra sem interrupções nesse período.

Para essas empresas, entender como o mercado de jogos escala suas infraestruturas em nuvem ajuda a não perder clientes, destacou Chris Gardner, vice-presidente e diretor de pesquisa da Forrester, também em entrevista ao InformationWeek.

Para o executivo, escalar um jogo é uma demanda “muito maior do que qualquer nível de workload que uma empresa de outro setor faça atualmente”, disse. Ele explicou que, em uma transação no varejo on-line, um cliente pode concluir uma compra após realizar sete cliques.

Não há uma duração específica do tempo total desses sete cliques. Porém, em datas comemorativas, se a infraestrutura não estiver configurada corretamente para escalar com os picos de demandas, essas ações podem demorar levando o consumidor a abandonar o carrinho.

Esse gerenciamento de recursos para garantir um bom desempenho precisa ser levado em conta, embora Gardner comentou que alguns varejistas não se preocupam tanto com esse ponto. “Se o gamer estiver no meio de um jogo intenso e esperar três segundos, pode ser o fim da partida. Mas, se o consumidor clicar em algo para comprar e levar três segundos, tudo bem [para a empresa].”

Machine Learning e Realidade Aumentada

Quando a Microsoft lançou o Xbox One, em novembro de 2013, o console da oitava geração era acompanhado de um Kinect, um dispositivo com sensor de movimento, reconhecimento de voz e de frequência cardíaca.

O dispositivo foi descontinuado anos depois, mas a Microsoft continuou realizando experimentos com Machine Learning embarcado no Kinect, permitindo outras empresas desenvolverem soluções de visão computacional.

Esses projetos baseados no Kinect foram integrados a ferramentas de realidade aumentada e outras tecnologias, permitindo o setor de saúde realizar manutenção de maquinários e até mesmo possibilitar aulas em um ambiente virtual.

No entanto, a virtualização de ambientes depende de grande poder computacional e de processamento gráfico, características recorrentes em jogos de classificação Triple-A (espécie de selo de qualidade que o jogo foi testado e possui desempenho superior), porque criam cenários mais próximo a realidade e em tempo real.

Com isso, empresas do setor de saúde têm apostado em boas GPU (unidade de processamento gráfico) para impulsionar as cargas de trabalho de Inteligência Artificial, possibilitando o uso da tecnologia e a transformando em diferencial competitivo.

Edge Computing também não é novidade na indústria de jogos

Edge Computing (Computação de borda) tem o potencial de transformar negócios. O Mundo + Tech até trouxe uma série de cards com exemplos de quais setores podem ser impactados com a convergência entre a tecnologia e Internet das Coisas (IoT). Confira aqui.

Na indústria de jogos, as empresas já estão em um nível de maturidade quanto a Edge Computing bem maior que as de outros setores. Por exemplo, o Google lançou o Stadia, um serviço de jogos em nuvem que permite rodar títulos Triple-A com resolução 4K e 60 FPS em um smartphone (caso o dispositivo tenha essa configuração).

Já a Microsoft anunciou um serviço semelhante – o Projeto xCloud – que deve ser lançado em setembro deste ano. Como Gardner apontou, alocar os recursos de computação e GPU para a ponta permite realizar o processamento de workloads no limite, obtendo processamento e respostas mais ágeis.

Para as empresas de outros setores, é uma oportunidade de escalar tecnologias emergentes e democratizar as soluções, levando novos produtos e serviços a um número maior de pessoas.

Fator humano pode ajudar na adoção de tecnologias

Geralmente, profissionais que consomem jogos são entusiastas de inovação. Essa paixão pelo novo, apontou McKeon-White, faz com que a indústria de videogame absorva essas pessoas para conseguir experimentar novas tecnologias e para tirar o melhor do poder da nuvem.

“Isso é difícil de promover em muitas outras organizações”, comentou o pesquisador comparando empresas de jogos com startups, que são mais adeptas às novas tecnologias, assim como já nascem praticamente em um ambiente em nuvem.

Por fim, o pesquisador destacou que a visão da indústria sobre a nuvem é o que a faz explorá-la ao máximo. Para McKeon-White, empresas de outros setores encaram a tecnologia apenas como “uma conexão mais eficaz entre elas e os clientes, enquanto os desenvolvedores de jogos consideram como diferentes tecnologias podem funcionar juntas na nuvem.”

Principais destaques desta matéria

  • Indústria de videogame sempre foi uma early adopter da computação em nuvem.
  • Permitindo desenvolvedoras a explorarem a nuvem e outras tecnologias ao limite.
  • Relatório da consultoria Forrester aponta alguns aprendizados que empresas de outros setores podem ter com a indústria de jogos.

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