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Duas iniciativas que buscam capturar CO2 da atmosfera com o apoio da tecnologia

04/06/2021

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

No Dia Mundial do Meio Ambiente, saiba mais como o Reino Unido e uma startup americana buscam reduzir a presença de CO2 na atmosfera.

meio ambiente tornou-se uma pauta de relevância para cidadãos e empresas — de todos os setores — que buscam ser mais sustentáveis. E a tecnologia é uma grande aliada nessa jornada.

Recentemente trouxemos ao Mundo + Tech o conceito de nuvem verde, um dos componentes do que convém chamarmos de TI verde.  Mas a jornada da “transformação sustentável” é muito ampla.

Pode parecer que não, mas o papel da tecnologia na busca pela redução das emissões de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono, popularmente conhecido como gás carbônico ou CO2, é discutido há muito tempo. Como exemplos de resultados dessa problematização, podemos citar a criação e uso de combustíveis alternativos, a produção de energia elétrica limpa, carros elétricos, impressão de peças em 3D para deixar os veículos mais leves… a lista é grande.

Recentemente, o esforço para diminuir a presença de CO2 na atmosfera ganhou o reforço de outras duas iniciativas que buscam coletar o  gás para ajudar a frear o aumento da temperatura da Terra.  

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, conheça o investimento realizado pelo Reino Unido para sequestrar o gás carbônico da atmosfera e como uma startup dos Estados Unidos planeja usar minerais para reduzir a presença do CO2 no ar que respiramos.  

Por que tecnologias climáticas são importantes?

A redução de gases de efeito estufa foi um compromisso acordado entre 195 países durante um tratado mundial conhecido como Acordo de Paris. A principal meta do documento é manter o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2°C para manter a Terra como um ótimo lugar para se viver.

Como já dito, há muitas iniciativas que visam à redução da emissão de gases do efeito estufa (entre eles o CO2) na atmosfera. Agora, o que fazer com o gás que já está lá?

A alternativa mais barata — e que funciona há milhares e milhares de anos — é aquela que infelizmente não podemos contar tanto: a realizada pelas florestas. Estima-se que cada hectare (10 mil m2 ou um campo de futebol) de floresta é capaz de absorver de 150 a 200 toneladas de carbono. Uma única árvore absorve 180 quilos de CO2.

A proposta do Reino Unido é investir mais de £ 30 milhões (ou R$ 215,5 milhões) em cinco métodos inovadores de remoção em larga escala de CO2 um processo chamado de sequestro de carbono. Esse valor será distribuído ao longo de quatro anos e meio e os testes ocorrerão em 247 acres de terra.

Os estudos, tocados pelo UK Research and Innovation (UKRI) – órgão público do Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial (BEIS) do Reino Unido, serão realizados em locais rurais no País de Gales e na Inglaterra e em terras cedidas pelo governo pela National Trust — uma organização de conservação do patrimônio da Inglaterra.

“Isso é realmente empolgante e de liderança mundial”, disse o professor da Universidade de Oxford, Cameron Hepburn , coordenador da pesquisa, ao site Global Citizen. Para ele, houve um atraso nas ações para reduzir os impactos climáticos, “mas é onde estamos.”

Quais áreas mais impactam o meio ambiente?

Como Hepburn falou ao Global Citzen, “ninguém quer realmente estar na situação de ter que sugar tanto CO2 da atmosfera”. Apesar de ainda não existir uma tecnologia com caso de uso para esse desafio, o projeto visa levar mais esforços para três setores:

  • Indústria.
  • Agricultura.
  • Aviação.

De acordo com o site da UKRI, são esses os setores mais complicados de descarbonizar. Dessa forma, o projeto é uma ação complementar aos esforços de redução de emissão de gases.  

“Reduzir as emissões é uma prioridade para o Reino Unido, mas não será suficiente para alcançar as metas de net-zero”, diz Duncan Wingham, chefe executivo do Natural Environment Research Council (NERC), que integra o UKRI. 

Nota da Redação: Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC0), net-zero é a neutralidade que se espera ao reduzir as emissões o mais próximo do zero em um período e compensar quaisquer emissões remanescentes com projetos que removam emissões da atmosfera.  

“Esses projetos investigarão como podemos remover ativamente os gases de efeito estufa da atmosfera usando tecnologias inovadoras na escala necessária para proteger o nosso planeta.”, diz o executivo. 

Com a finalidade de remover o gás carbônico da atmosfera, a iniciativa vai apoiar cinco projetos. Os resultados serão usados para apoiar a tomada de decisão do governo britânico em longo prazo sobre as tecnologias mais eficazes para ajudar o país a enfrentar as mudanças climáticas. 

  1. Gestão de turfeiras: são musgos formados a partir da decomposição de vegetais em solos alagados e que têm potencial de maximizar a remoção de carbono.
  2. Aprimoramento do intemperismo de rochas: intemperismo são as alterações físicas e químicas das rochas expostas na superfície. Esse processo remove, de maneira natural, o CO2 da atmosfera.
  3. Biochar: também conhecido como carvão vegetal, é um método financeiramente mais viável para o processo de captura de CO2 da atmosfera (também conhecido como sequestro de carbono)
  4. Plantio de árvore em grande escala: para avaliar quais espécies e locais adequados para a captura de CO2.
  5. Culturas energéticas perenes: plantações que possuem longo ciclo e não morrem após a colheita. Além de serem um meio alternativo de combustível, reduzem o impacto ambiental.

Startup pretende usar minério na redução de CO2

Não é só o Reino Unido que tem somado esforços para reduzir a presença de carbono na atmosfera. É o caso da Heirloom Carbon Technologies, uma startup de São Francisco (Estados Unidos), que assumiu como meta o sequestro de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico até 2035.

A ideia da startup é usar intemperismo aprimorado no intuito de reduzir os impactos ambientais e desacelerar as mudanças climáticas. Recentemente, a Heirloom levantou uma quantia de financiamento não revelada para o projeto, segundo matéria do MIT Technology Review.

O modelo de negócio da Heirlomm prevê a remoção de dióxido de carbono por US$ 50 a tonelada e com empresas que já estão de olho no composto químico. A Stripe, empresa de pagamentos, disse que pretende adquirir 250 toneladas de CO2 da startup por US $ 2.054 a tonelada.

Como, então, ela pretende sequestrar o carbono? Usando a natureza e uma certa dose de tecnologia. O processo cíclico pode ser resumido em duas fases, como explica a companhia.

  • Captura: O CO2 é capturado do ar por uma reação química com a ajuda de minerais que “absorvem” o gás presente na atmosfera. Segundo a empresa, a tecnologia proprietária fará com que um processo que duraria anos seja concluído em uma questão de dias.
  • Regeneração: o CO2 e o mineral são separados para gerar um fluxo de gás carbônico puro, que pode ser armazenado permanentemente no subsolo.

Segundo a empresa, essa solução tem o diferencial de ser acessível (por usar minerais de baixo custo), permanente (pelo gás ficar preso no subsolo por tempo indeterminado), sustentável (pelo processo reciclar o uso de materiais e com grandes chances de usar energia renovável) e compacta (a estrutura física não compete por espaço com a agricultura e urbanização).

Principais destaques desta matéria

  • Reino Unido anunciou programa para financiar projetos que sequestrem CO2 da atmosfera.
  • A ideia é reduzir a presença de dióxido de carbono na atmosfera.
  • No Dia Mundial do Meio Ambiente, saiba mais dessa iniciativa e de uma startup que usará minério para essa missão.

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