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Como empresas usam realidade aumentada para a manutenção de equipamentos de ventilação mecânica?

17/04/2020

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Há quem diga que a realidade aumentada (RA) ainda não encontrou seu lugar ao sol. Quem não se lembra do Google Glass e seus problemas de segurança quando lançado em 2012? No entanto, soluções baseadas em RA já mostram impactos positivos em diversos negócios.

Tanto que este mercado tem a expectativa de valer US$ 60,55 bilhões (R$ 318 bilhões) até 2023, segundo relatório da consultoria ReportsnReports. Mas, indo além de negócios, a realidade aumentada é mais uma tecnologia aliada no combate ao novo coronavírus.

Um exemplo é a startup israelense TechSee. A empresa passou a fornecer gratuitamente uma plataforma de RA para ajudar técnicos na manutenção de aparelhos de ventilação mecânica e outros equipamentos médicos de diversos hospitais.

Com essa parceria, hospitais conseguem manter a disponibilidade dos sistemas necessários para atendimento aos pacientes com COVID-19, mas sem precisar investir repentinamente no desenvolvimento de novas soluções devido à falta de equipamentos.

“Especialistas em equipamentos médicos são limitados e as empresas não podem enviá-los aos hospitais e colocá-los sob risco de infecção. Por outro lado, alguém precisa dar suporte a essas máquinas”, disse Liad Churchill, vice-presidente de marketing da TechSee ao site TechRepublic.

Como funciona a solução de realidade aumentada da startup?

Nessa pandemia do coronavírus, os hospitais devem garantir o funcionamento de diversos equipamentos. Além disso, é preciso realizar o treinamento com médicos sobre como utilizar, por exemplo, a ventilação mecânica.

“Antes, você enviava um técnico para os hospitais para mostrar aos médicos como operar um equipamento, como consertá-lo, etc. Mas [com o coronavírus] ele precisa fazer isso remotamente. Então combinamos realidade aumentada com vídeo”, comentou Churchill.

Caso um hospital necessite fazer a manutenção de um aparelho, ele tem uma conversa prévia com a TechSee sobre o problema. A startup então aciona um técnico, que irá enviar um link WEB da plataforma via SMS para algum membro da instituição de saúde.

Assim, um encarregado do hospital vai usar a câmera do smartphone ou de um tablet para apontar qual o problema. Com a tecnologia de RA, o técnico fará o diagnóstico da máquina, assim como auxiliar visualmente o responsável a resolver o problema.

Uma vez que a plataforma é baseada na WEB, não há necessidade de o hospital baixar um aplicativo no smartphone ou tablet. Além disso, a solução se apoia em Inteligência Artificial para reconhecer os problemas técnicos das máquinas e automatizar o processo de suporte.

Além do equipamento de ventilação mecânica, a plataforma consegue reconhecer e diagnosticar problemas e falhas técnicas máquinas de raio-X, roteadores e termostatos inteligentes.

Quais os desafios do uso remoto da RA?

Embora a plataforma da TechSee seja fácil de utilizar, a startup acredita que o maior desafio é a mudança de mentalidade. “Em vez de o técnico perguntar o que um médico vê [de errado em uma máquina], ele vai realmente dizer ‘mostre-me o que vê’”, disse Churchill.

Para o vice-presidente de marketing da startup, os técnicos atuaram por muitos anos no campo e, agora, precisam trabalhar de casa. Porém, se adaptar a uma solução remota vai permitir manter os requisitos de distanciamento social enquanto mantém o funcionamento dos equipamentos.

Outra iniciativa de Realidade Aumentada para saúde

Desde os primeiros casos do coronavírus, a companhia norte-americana PTC disponibilizou gratuitamente a Vulforia Chalk, plataforma de realidade aumentada usada para ajudar na manutenção de equipamentos.

Mas, além da Vulforia Chalk, a PTC desenvolveu o Ventilator Challenge UK, em que 14 empresas industriais de vários setores – de aeroespacial a automotivo – se reuniram para produzir equipamentos de ventilação mecânica para o Reino Unido.

Como elas não possuem expertise no desenvolvimento desse equipamento, a tecnologia de RA da PTC será utilizada para capturar todos os processos de fabricação. Assim, os dados serão enviados a essas companhias, que poderão produzir os ventiladores em suas próprias fábricas.

Isso será possível porque a PTC vai registrar todos os procedimentos necessários para fabricação dos ventiladores. Em seguida, esse conteúdo será editado e publicado na plataforma Vuforia View.

Quando o conteúdo estiver no ar, colaboradores e funcionários dessas 14 empresas podem utilizar óculos de realidade aumentada ou dispositivos móveis com um app da PTC instalado para reproduzir os processos de fabricação com o auxílio da tecnologia.

Principais destaques desta matéria

  • Realidade aumentada pode auxiliar no combate ao coronavírus.
  • Startup israelense utiliza a tecnologia para realizar manutenção de equipamentos de ventilação mecânica.
  • Já empresa norte-americana reuniu diversas companhias de vários setores para construir equipamentos com ajuda de RA.

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