TI

5 tecnologias emergentes que podem ser adotadas até a próxima década

08/09/2020

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Hype Cycle da Gartner divulga as 5 tecnologias emergentes que irão impactar a sociedade até a próxima década.

Entra ano, sai ano e a consultoria Gartner divulga as tecnologias emergentes que farão a diferença na sociedade até a próxima década. Conhecida como Hype Cycle, essa metodologia avalia se as tendências de inovação são apenas exageros ou comercialmente viáveis.

Recentemente, a Gartner divulgou a edição 2020 do Hype Cycle, com 1.700 tecnologias emergentes únicas que devem amadurecer no curto prazo. “Os líderes de inovação devem entender as oportunidades que elas trazem, particularmente as de alto impacto”, disse Brian Burke, vice-presidente de pesquisas da Gartner.

Um exemplo citado pela consultoria são os passaportes de saúde. China, Índia e os Emirados Árabes Unidos desenvolveram aplicações de resposta a pandemia para identificar os cidadãos aptos a viajar ou os que possivelmente estão infectados e devem ficar de quarentena.

Segundo o relatório da Gartner, apenas as populações da Índia e da China que utilizam esse passaporte foram responsáveis pela penetração de mercado de 5% a 20%. Um número, até então, sem precedentes para uma tecnologia que surgiu recentemente no Hype Cycle.

Porém, além do passaporte de saúde e das outras mais de mil tecnologias emergentes, a Gartner destaca 5 tendências que as companhias devem ficar de olhos. São elas:

  1. Composite architectures (arquiteturas compostas, em tradução livre)
  2. Algorithmic trust (confiança nos algoritmos, em tradução livre)
  3. Beyond silicon (além do vale silício, em tradução livre)
  4. Formative Artificial Intelligence (Inteligência Artificial geradora, em tradução livre)
  5. Digital me (eu digital, em tradução livre)

Abaixo, o Mundo + Tech explica um pouco o conceito de cada tecnologia mapeada pela Gartner.

1. Arquiteturas compostas

As empresas se encontram em um cenário de mudanças e descentralização. Para isso, elas precisam responder rapidamente e desenvolver arquiteturas mais ágeis e responsivas. E isso é possível quando o modelo de negócios passa a ser de forma modular.

Esse é o objetivo de arquiteturas compostas. É adotar soluções empacotadas, que estarão integradas aos negócios e todas as áreas de uma companhia, permitindo a continuidade das operações, mas com inovação, custos reduzidos e melhores parcerias.

Seria como adotar a solução Omnichannel da Embratel, em que o consumo de dados, de voz e a infraestrutura estão dentro de um pacote, e não comercializados de forma individual.

Esse design modular, de acordo com a Gartner, se baseia em 4 princípios básicos:

  • Modularidade.
  • Eficiência.
  • Melhoria contínua.
  • Inovação adaptativa.

Além disso, uma arquitetura composta também pode ser mais ágil com a adoção de outras tecnologias: 5G, Inteligência Artificial incorporada e Data Fabric (arquitetura ou conjunto de serviços de dados que fornecem gerenciamento de dados na nuvem e local).

2. Confiança nos algoritmos

Vazamentos de dados do consumidor, fake news e Inteligência Artificial enviesada têm deixado as organizações desconfiadas sobre o papel de uma autoridade centralizadora nas transações envolvendo dados.

Para a Gartner, a tendência é o uso de algoritmos de confiança, em que esses modelos vão garantir a privacidade e segurança dos dados, a origem dos ativos e a identidade de pessoas e coisas.

Essa tendência, quando integrada ao Blockchain, pode rastrear de forma adequada um ativo desde a sua origem. Por exemplo, um lote de frutas sai de um centro de distribuição para ser entregue em um mercado.

O Blockchain vai até autenticar essa mercadoria, mas só vai rastrear as informações fornecidas por uma pessoa. Ou seja, se o fornecedor insere dados incorretos, a tecnologia não vai saber se o lote de frutas é verdadeiro ou falso.

Ainda mais quando não é possível modificar e excluir os dados inseridos em uma rede de Blockchain. Assim, a tecnologia vai sempre autenticar a mercadoria como algo verdadeiro.

No entanto, a confiança nos algoritmos é uma forma de rastrear toda a origem dessa mercadoria e garantir que ela é real. Essa “proveniência autenticada” é possível, porque o uso de IA explicável e responsável (que humanos conseguem entender) vai garantir a veracidade das informações.

3. Além do silício

A indústria de TI sempre foi guiada pela Lei de Moore, em que o número de transistores em um circuito integrado denso dobraria a cada dois anos. Porém, a tecnologia já atinge rapidamente os limites físicos, fazendo com que a comunidade desenvolvesse inovações menores e mais ágeis.

Aqui vale um adendo: o silício deste tópico não é referente ao Vale do Silício, lá em São Francisco, nos Estados Unidos. Mas sim, ao elemento químico usado no desenvolvimento de processadores e microchips presentes em desktops, notebooks e outros dispositivos.

Entre as inovações para substituir o silício estão a “computação e armazenamento de DNA”. Nela, os dados são codificados em fitas de DNA sintético, garantindo o armazenamento deles. Já os recursos de processamento ocorrem a partir de reações químicas de enzimas.

Contudo, é um processo ainda rudimentar e caro, mas que, em um futuro, pode trazer eficiência computacional. Outros estudos envolvem sensores biodegradáveis e transistores baseados em carbono.

4. Inteligência Artificial geradora

A Inteligência Artificial geradora é uma tecnologia emergente capaz de se alterar dinamicamente para responder a uma determinada situação. Para a Gartner, existem dois cenários para os próximos anos com a popularização dessa tendência.

O primeiro é o aumento de novos conteúdos (imagens, vídeos) e alteração dos já existentes – que pode gerar uma quantidade enorme de fake news, levando desinformação e ameaçando a reputação das companhias.

Já o segundo é a possibilidade de descobrir novos medicamentos, gerar dados sintéticos (criados para uma determinada situação que não pode ser encontrada nos dados originais) e até mesmo arte.

5. Eu digital

De passaportes de saúde a gêmeos digitais, a integração entre tecnologias e pessoas vai permitir a criação de versões digitais delas, possibilitando uma representação humana nos dois mundos: virtual e real.

Uma interface cérebro-máquina (IMC, na sigla em inglês), por exemplo, vai fazer uso de vestíveis para alterar o cérebro e permitir a comunicação entre ele e um computador.

Essa tecnologia emergente pode monitorar atividades elétricas no cérebro, identificando se um professor está irritado ou se um colaborador está cansado.

No campo dos negócios, o eu digital tem potencial uso em aplicações que incluem autenticação, acesso e pagamento, ou até mesmo em análise imersivas e exoesqueletos. A questão, para a Gartner, é que essa tendência abre uma porta a mais de vulnerabilidade.

Principais destaques desta matéria

  • Hype Cycle da Gartner é uma metodologia que levanta as principais tendências de inovação.
  • Edição de 2020 identificou 1.700 tecnologias emergentes que impactarão a sociedade.
  • Confira as 5 tendências que a Gartner acredita que serão adotadas até a próxima década.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *