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Como a convergência da computação de borda e IoT pode transformar os negócios

31/07/2020

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Computação de borda possibilita que os próprios dispositivos de Internet das Coisas realizem o processamento de dados

Muitas organizações ensaiam uma retomada mais efetiva dos negócios e um ecossistema de Internet das Coisas (IoT) pode ser um facilitador.

“Nesse tempo de pandemia, a IoT vai permitir as empresas aprimorarem seus sistemas, seja em operações que exigem ação manual ou em se aproximar mais do seu cliente”, afirma Rafael da Silva Santos, coordenador do curso de Redes, IoT, Cloud, Data Center & Wireless da FIAP.

Pode não parecer, mas a IoT já está presente no cotidiano de todos há um bom tempo. Um exemplo é o modem de internet: ele é um dispositivo IoT que vai se comunicar com um smartphone ou notebook e permitir, por exemplo, que um colaborador trabalhe de forma remota.

Aliás, o trabalho remoto adotado por organizações de muitas indústrias exigiu delas a demanda por soluções de IoT, como aponta um relatório sobre o impacto da COVID-19 no mercado de Internet das Coisas produzido pela consultoria Research and Markets.

Essa demanda não é somente para o monitoramento remoto da força de trabalho, mas também para acompanhar em tempo real operações que necessitam de um humano para uma tomada de decisão.

O que nos leva a um novo desafio. No momento, as companhias têm coletado um grande volume de dados, o que demanda maior poder de processamento.  E se muitas delas esperam agilidade, fazer uso da computação de borda (ou edge computing) pode ser a saída para resultados mais expressivos.

Ao longo deste post, você vai entender como a convergência das duas tecnologias vão melhorar os negócios.

Entendendo a computação de borda

Edge computing ou computação de borda é o uso do próprio dispositivo (smartphone, relógio inteligente, notebook etc.) para fazer o processamento dos dados, trazendo mais velocidade na tomada de decisão.

Uma situação que pode exemplificar edge computing é o uso de assistentes virtuais. Quando você pergunta se o dia será ensolarado ou não, a resposta é dada logo em seguida porque o próprio smartphone foi capaz de processar essa ação e já entregá-la ao usuário.

Na indústria, o contexto é (quase) o mesmo. A diferença está no volume dos dados. “Dispositivos IoT armazenam muitos dados e vão exigir um poder computacional que não tem como estar dentro de um data center”, explica Santos.

Aqui vale um adendo sobre o que é o processamento de dados. Ele funciona da seguinte forma:

  • Input (entrada): dados entrem no data center a partir de um link de conexão com o dispositivo IoT.
  • Processamento (instruções): data center vai decodificar os dados.
  • Output (resultados): data center envia as informações extraídas de volta ao dispositivo IoT, que comunicará essa resposta ao sistema central de gestão.

Na prática, seria como se um sensor IoT coletasse dados sobre a produtividade de uma máquina. Porém, por ele não ter poder computacional, apenas informaria ao sistema central se o equipamento trabalhou mais ou menos naquele dia.

Fica, então, para o operador a tarefa de entender se uma possível queda na produtividade da máquina representaria a possibilidade de ela estar com a vida útil próxima ao fim.

FIQUE POR DENTRO: Por que você deve olhar para a Internet das Coisas (IoT)?

Três exemplos de edge computing e IoT na indústria

Embora muitos projetos de IoT ainda sejam centralizados – ou seja, processam os dados em um data center – Rafael acredita que a convergência com a computação de borda já seja uma tendência.

Computação de borda é praticamente compartilhar e distribuir os recursos de processamento. É deixar de centralizá-los em um data center para disponibilizá-los nos dispositivos, que terão o poder de decisão sobre determinada ação”, comenta o professor da FIAP.

Quando o processamento dos dados acontece na borda (no próprio dispositivo ou sensor), a empresa ganha eficiência operacional, elimina tarefas manuais, reduz gastos com manutenção forçada de equipamentos e gera produtividade, seja para máquina ou profissional.

Nos cards abaixo, você confere três exemplos do uso de IoT e edge computing em diversas indústrias:

Processar os dados na borda é mais seguro

Talvez a primeira vantagem de realizar o processamento dos dados na borda é o fato de reduzir os riscos de exposição, uma vez que eles não estarão armazenados em outro local. “Todo dado processado dentro de dispositivo IoT se mantém nele”, explica Rafael.

Por sinal, se as empresas se preocupam com a segurança da informação, a computação de borda vai manter a conformidade com regulamentações como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que, até a publicação desta matéria, ainda não têm uma data certa para entrar em vigor.

“Se um hacker tenta invadir um sensor IoT, ele pode até conseguir roubar os dados que estão neste sensor, mas não consegue roubar os dados armazenados em outros sistemas, evitando que a empresa pague multas gigantescas por conta do vazamento de dados”, comenta o professor.

No entanto, Rafael ressalta o seguinte: as organizações não possuem apenas um único sensor ou dispositivo IoT, mas sim um ecossistema em que vários deles conversam entre si enquanto estão conectados ao sistema de gestão.

Então, é possível que um dispositivo IoT seja invadido não com o intuito de roubar os dados, mas sim, o de afetar as operações. O professor da FIAP exemplifica isso comparando com campeonatos de e-sports.

“Os jogadores competem com suas próprias máquinas e periféricos, mas ninguém audita esses equipamentos, que estão conectados a mesma rede de internet, para saber se eles foram configurados com o intuito de prejudicar o desempenho dos concorrentes”, diz

​A mesma coisa acontece em um ecossistema IoT. Os sensores e dispositivos estão conectados à rede da empresa, mas geralmente ela não faz uma análise de vulnerabilidade e atualizações de software para que a segurança deles esteja em dia. 

Porém, outras camadas de segurança devem existir

Mesmo que os objetos de IoT atuais sejam desenvolvidos com mais camadas de segurança, Rafael atenta ao fato das possíveis vulnerabilidades. “As empresas que investem em IoT querem lucro e agilidade, mas esquecem de atualizar os dispositivos ou mesmo realizar testes de segurança.”

Por exemplo, quando foi a última vez que você atualizou o modem de internet, que comentamos no início deste texto?

Como o professor da FIAP destaca, as fabricantes levam de seis meses a um ano para desenvolver uma solução IoT e lançá-la no mercado. “Algumas se preocupam em lançar com um baixo custo, mas o tempo entre desenvolvimento e lançamento já vai exigir atualizações de segurança”, diz.

É como se você comprasse um carro na concessionária e, três meses depois, a fabricante anunciasse um recall do veículo. “Ou seja, o carro já saiu da loja com vulnerabilidade, assim como os dispositivos IoT”, explica o especialista.

A indicação de Rafael é pensar em projetos IoT na lógica security by design. “Se a empresa pensa em implementar dispositivos no dia a dia dela, ela pode realizar testes de invasão neles antes mesmos deles entrarem em operação.”

Principais destaques desta matéria

  • Pandemia da COVID-19 demandou das empresas a adoção de tecnologias, entre elas a IoT.
  • Mas, com o grande volume de dados gerados por objetos conectados, o processamento centralizado pode gerar atraso nas respostas.
  • Neste cenário, a edge computing ou computação em borda pode transformar as operações.
  • Isso porque tecnologia vai permitir que o processamento dos dados aconteça no próprio dispositivo IoT.

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