Inteligência Artificial

Por que apostar em uma solução de RPA para a sua empresa?

29/06/2020

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Tecnologia apoia empresas a reduzir custos e potencializar o talento de seus funcionários. Confira a entrevista com Valesca Garcez, especialista da Embratel na solução

A Automação Robótica de Processos (RPA, na sigla em inglês para Robotic Process Automation) pode ser resumida como “tirar o robô do humano”. Ou seja, afastar o colaborador de atividades repetitivas para tirar proveito de sua inteligência e criatividade em outros processos.

E engana-se quem pensa que a RPA pode ser adotada apenas por grandes empresas com muitas linhas no orçamento dedicadas à inovação. Qualquer organização, independentemente de seu tamanho pode aproveitar os benefícios da tecnologia que, no fim das contas, coloca o humano onde ele é realmente necessário.

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Para entender um pouco mais sobre essa solução e os seus benefícios, o Mundo + Tech entrevistou Valesca Garcez, gerente de produtos da Fábrica de Software e Inteligência Artificial da Embratel.

A especialista é a segunda convidada da série de entrevistas do Mundo + Tech com os participantes da Maratona Soluções Digitais, evento on-line que reúne o time de especialistas e parceiros da Embratel com foco em soluções de Cloud, Segurança e Serviços de TI que podem ajudar as empresas brasileiras a enfrentarem os desafios impostos pelo cenário atual.

Valesca Garcez, Embratel

Mundo + Tech: O que é RPA?
Valesca Garcez:
RPA (Automação Robótica de Processos) é uma força de trabalho virtual que utiliza robôs de software para automatizar processos repetitivos. Você não os vê, não os toca, mas sabe que o trabalho foi feito. Geralmente ela é usada em trabalhos administrativos. Por exemplo, se uma empresa emite nota fiscal em diversas cidades, um profissional precisaria verificar o site de diversas prefeituras, de forma manual, para pegar os dados e poder fazer a emissão. A RPA poderia fazer esse trabalho e a empresa poderia continuar utilizando um humano onde ele é necessário.

M+T: Quais são os outros benefícios da tecnologia, além da produtividade?
VG:
Uma empresa que produz conteúdo de educação precisava entregar a base de dados do cliente para o Ministério da Educação (MEC), mas os dados deveriam ser condizentes com os disponíveis na Secretaria da Fazenda (Sefaz). Só que essa empresa tem uma base de 29 mil clientes. Então, imagine verificar um por um? Todo esse processo que durava 30 dias passa 12 horas com a adoção de RPA. Essa é uma das várias vantagens da RPA. A tecnologia diminui também os riscos de segurança e fraudes, porque vai evitar a falha humana. Por exemplo, se um colaborador tem a função de emitir a segunda via de uma conta para um cliente, após muito tempo nessa função, ele pode acabar errando algum detalhe.

M+T: Existe uma diferença entre RPA e Inteligência Artificial?
VG:
São soluções bastante distintas. Como a RPA não é inteligente, todas as regras que definem seu comportamento devem ser rigorosamente programadas e serão seguidas à risca quando o robô estiver em execução. Em soluções de Inteligência Artificial, por outro lado, o processo ocorre de forma inversa. As regras não são ditadas, mas sim inferidas pelo sistema com base em um grande volume de dados a ele submetidos. Apesar das diferenças, as tecnologias podem trabalhar muito bem em conjunto, com a Inteligência Artificial complementando o desempenho dos robôs. Já existem empresas que colheram os frutos e perceberam os benefícios de investir em RPA. Agora, elas estão em um movimento de combinar essas duas tecnologias.

M+T: Você acredita que a adoção de RPA vai atingir empresas de todos os portes e como a RPA pode trazer resultados no cenário atual?
VG:
Sim, a RPA é para empresas de todos os portes, pois o trabalho repetitivo está presente em diversas áreas. A área administrativa, só para citar um exemplo, é fonte de tarefas que podem ser automatizadas, de modo a liberar os profissionais para atividades mais nobres, ou seja, aquelas que dependem da inteligência humana, que é única e insubstituível. O cenário atual trouxe uma necessidade urgente de redução de custos operacionais e ela pode ser viabilizada à medida que processos realizados por humanos passem a ser executados por robôs de software.

M+T: Uma empresa decide adotar a RPA em seus processos. O que ela deve considerar nesse início de jornada?
VG:
A escolha de uma boa consultoria é passo fundamental, pois contar com a experiência de quem já percorreu esse caminho significa evitar tropeços desnecessários e desperdício de recursos. Ao mesmo tempo, a seleção adequada dos processos a serem automatizados é fator decisivo. Importante priorizar a escolha de processos simples, que são repetidos por muitas pessoas (especialmente operações 24×7) e que representam algum risco para o negócio — aí estão as maiores possiblidades de ganhos. Por exemplo, em um feriado, uma RPA pode fazer o trabalho que seria de um colaborador humano. O funcionário aproveita o dia de folga e a empresa economiza.

M+T: Quais são as etapas de adoção de uma RPA?
VG:
A primeira etapa de um projeto de RPA será bastante consultivo. O primeiro passo é entender o que pode ser automatizado e é esse o papel de uma consultora, como a Embratel. Existem empresas que não sabem a fonte de dados, para onde eles vão ou como eles chegam. Mapeada essa etapa, a próxima é a programação de robôs. É uma etapa que não tem um prazo definido, porque depende da complexidade dos processos que serão automatizados. Após isso, é a fase de testes e depois o robô é colocado em produção. O desempenho dele será acompanhado (o que chamamos de babysitting) para tratar situações de desvio, por exemplo.

Nota da redação: Desvio é o termo utilizado para indicar quando um robô não consegue realizar uma tarefa e redireciona-a para um humano.

M+T: Por que projetos de RPA podem ou costumam falhar?
VG:
Penso que o principal ponto de falha reside nos profissionais que podem se sentir ameaçados ao perceberem que parte do seu trabalho será feito de modo automatizado. Assim sendo, a melhor maneira de tratar o assunto, na minha opinião, é com muito esclarecimento e informação. É necessário tranquilizar as pessoas e mostrar que elas irão deixar de fazer um trabalho repetitivo e maçante, para serem melhor utilizados dentro da empresa. No ponto de vista prático, a empresa vai definir um nível considerável de sucesso para o robô, como por exemplo, a porcentagem de redução do esforço humano. Nem sempre ela será 100% porque o robô irá desviar algumas ações para um humano. Se a taxa de sucesso é 50% e a solução alcança 90%, significa que o projeto está indo bem. Agora, se a performance está abaixo desses 50%, a empresa deve monitorar tudo o que o robô está desviando para um funcionário.

Maratona Soluções Digitais da Embratel

Não perca os encontros da Maratona Soluções Digitais, realizada pela Embratel. O próximo encontro acontece dia 2 de julho e abordará três temas: Data Analytics, Cloud e Segurança. Garanta seu acesso gratuito aqui.

Até lá, confira mais sobre os 8 principais fatores de sucesso para a implementação de um projeto de RPA no vídeo abaixo:

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