Inteligência Artificial

Dia da mentira: os exemplos “do bem” do deepfake

01/04/2021

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Neste dia em que as pegadinhas de 1° de abril nos lembram do lado inofensivo da mentira, a gente mostra alguns casos positivos de uso do deepfake

A Inteligência Artificial evolui rápido e, muitas vezes, de maneiras assustadoras. Das discussões éticas sobre carros autônomos a algoritmos que reforçam preconceitos, suas aplicações geram debates complexos e incertezas. Mas talvez o deepfake seja uma das mais alarmantes, porque, basicamente, compromete a confiança que temos no que vemos.

Você é uma pessoa que diz “só acredito vendo”? Ou que “uma imagem vale mais que mil palavras”? Pois então: em um mundo com deepfakes, essas expressões valem cada vez menos.

Ver o lado positivo dessa tecnologia é uma tarefa árdua, mas, ainda assim, vale lembrar que, como qualquer outra, ela é uma ferramenta e, como tal, pode ser também usada para o bem. O site ThinkAutomation fez esse esforço e reuniu alguns exemplos de usos positivos do deepfake. Acompanhe.

Antes, o que é o deepfake?

Ele já está entre nós até mesmo em memes ou em vídeos de comediantes na internet. O deepfake é um conteúdo falso que, com o uso de Inteligência Artificial e Machine Learning, passa por verdadeiro.

O termo vem da combinação de deep learning com um conteúdo falso (“fake”) e normalmente se refere a vídeos, porque é onde a tecnologia impressiona mais, mas pode também ser em foto ou áudio.

Se procurar pelo termo no YouTube, você certamente vai encontrar, por exemplo, diversos vídeos de políticos conhecidos falando coisas que eles nunca disseram, na realidade.

Conforme a tecnologia melhora e fica mais difícil diferenciar um vídeo real de um fake, o potencial de confusão só aumenta, como dá para imaginar.

SAIBA MAIS: nós já fizemos uma matéria aqui no Mundo + Tech sobre os deepfake, seu lado negativo e positivo.

Usos na educação

Já imaginou poder ouvir um poema de Camões declamado e interpretado por ele mesmo, em um vídeo? Ou ouvir a história do Quilombo dos Palmares contada por Zumbi?

Em 2018, o Illinois Holocaust Museum and Education Centre criou um módulo de entrevistas em holograma. Com ele, os visitantes podiam falar e ouvir as histórias de sobreviventes do Holocausto. Com a tecnologia deepfake, esse tipo de iniciativa poderia ganhar outros lugares e contextos.

Já a empresa CereProc “ressuscitou” John F. Kennedy em um áudio, declamando o que teria sido seu discurso se não tivesse sido assassinado.

Alcançando um público mais amplo

Você é daqueles que não suporta uma dublagem ruim em vídeo? Talvez haja um futuro em que isso não seja mais um problema. O deepfake tem o potencial derrubar algumas barreiras de linguagem. Usando Inteligência Artificial, a campanha Malaria Must Die colocou o ex-jogador de futebol David Beckham para transmitir a mensagem sobre a doença em nove idiomas.

Impressionante, não é? Agora, veja no vídeo abaixo como o deepfake fez o ex-jogador falar nove idiomas diferentes.

Mas e a dublagem? Como o deepfake pode replicar a voz e alterar o vídeo, seria possível fazer a dublagem soar como a voz dos atores que estão de fato no filme. Mais alcance e diversidade de conteúdo e entretenimento pelo mundo.

Personagens “de mentira”

A indústria de entretenimento pode ser uma das mais beneficiadas pelas possibilidades que o deepfake traz.

Sabe quando um ator vem a falecer no meio da gravação de um filme e ou o personagem morre também, ou acaba sendo substituído nas cenas por outro ator, que acaba não convencendo? Com a tecnologia, ele pode ser substituído por um personagem criado por computação gráfica.

No filme Star Wars: Rogue One, de 2017, o ator Peter Cushing, falecido em 1994, foi recriado assim. A tecnologia também promete melhorar os efeitos especiais de envelhecimento ou rejuvenescimento dos personagens.

No mundo da arte

A Inteligência Artificial pode ajudar a criar museus virtuais com convincentes obras de arte “fake” pelo mundo. Além disso, pode “ressuscitar” artistas mortos, como foi feito com Salvador Dalí no Salvador Dalí Museum. Recentemente, a Samsung deu vida à Mona Lisa, permitindo que ela movesse cabeça, olhos e boca. Veja só:

Na medicina

Pacientes “de mentira”? Sim. Empresas de saúde e cuidado podem se beneficiar do uso de pacientes criados com essa tecnologia para fazer testes e experimentos com seus dados, sem colocar pessoas reais em risco.

Em treinamentos

Se a tecnologia for longe o suficiente, poderemos ter humanos virtuais em deepfake, que podem ser usados para simular consumidores em treinamentos de vendas, por exemplo. Veja os “humanos artificiais” da Samsung:

Principais destaques deste post

  • Deepfake é uma técnica frequentemente associada a mentiras.
  • Mas a ferramenta pode ser usado para o bem também.
  • Há exemplos nas áreas de educação, entretenimento, medicina e negócios que mostram o potencial positivo da inovação.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

NEWSLETTER