Inteligência Artificial

Centro de excelência de Inteligência Artificial: o passo seguinte para o uso da tecnologia

20/10/2020

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Centro de Excelência de Inteligência Artificial utiliza uma abordagem centralizada para acelerar a adoção de IA e transformar toda a organização.

A Inteligência Artificial (IA) está em um novo capítulo, de acordo com a consultoria Deloitte. Tem sido cada vez mais fácil desenvolver e implementar soluções baseadas na tecnologia e, para as organizações, os benefícios ao adotá-la já são tangíveis.

São diversos casos de uso da IA (confira 4 exemplos neste artigo do Mundo + Tech): do gerenciamento e automação da infraestrutura de TI até a coleta de novos insights sobre os clientes, da identificação e resposta a ameaças cibernéticas ao diagnóstico precoce de doenças.

De acordo com uma previsão da IDC, os gastos com soluções de IA irão crescer para US$ 97,9 bilhões em 2023, valor duas vezes maior que a média de 2019. Essa expectativa, para a Deloitte, significa que a fase de “adoção inicial” da Inteligência Artificial está acabando.

Embora muitas empresas ainda não tenham adotado a tecnologia, a consultoria acredita que já há quem esteja na próxima etapa desta jornada.  Seria o “estágio inicial” de maturação da IA, quando a tecnologia aparece cada vez mais integrada aos processos e operações.

Porém, uma grande questão futura, mas que as companhias já devem considerar é: quando a IA se tornar onipresente, o que será necessário para se destacar no mercado?

A resposta é: um Centro de Excelência de Inteligência Artificial (CoE, na sigla em inglês para AI Center of Excellence).

Um CoE pode ser resumido como o desenvolvimento e estabelecimento de uma abordagem centralizada de Inteligência Artificial. Assim, é possível obter sucesso nos projetos baseados na tecnologia e escalá-la para outros ambientes.

Ao longo deste artigo, você entende mais a importância de um centro de excelência e como ele transforma a organização.

Centro de Excelência de Inteligência Artificial: o que é?

Na definição do site CIO.com, um CoE vai centralizar o uso de Inteligência Artificial a partir de padrões e políticas. Até então, muitas empresas utilizam a tecnologia de maneira separada, em que cada área acessa a TI de maneira individual e utiliza suas próprias ferramentas de dados.

O problema é que, nessa situação, provavelmente muitas áreas de negócio vão desperdiçar tempo, recursos e talentos para resolver o mesmo problema. Esse ruído gera ineficiência dos investimentos em IA, levando os projetos ao fracasso.

Quem é vanguarda em um Centro de Excelência é a Shell, que desenvolveu seu CoE em 2013. Em entrevista ao site CIO.com, Dan Jeavons, atual líder do CoE da Shell, comentou que, no início, o espaço servia para realizar análise preditiva. “Era só eu”, relembrou o executivo.

Hoje, são 180 cientistas e engenheiros de dados em tempo integral. Essa mudança tem um propósito: a adoção de Inteligência Artificial requer especialistas com técnicas e habilidades mais aprofundadas da tecnologia.

Por exemplo, a falta de experiência com Deep Learning, visão computacional ou Processamento de Linguagem Natural da unidade de negócios pode levar a área a desenvolver projetos de IA sem o time de TI envolvido.

Na tentativa de evitar frustrações com a tecnologia, a Shell padronizou plataformas de acesso a dados — assim como os processos — e capacitou profissionais de TI e de negócios para ter um corpo mais especializado e técnico no uso de IA.

Daí a importância de olhar para Centros de Excelência de IA. Eles podem acelerar a adoção da tecnologia, consolidando talentos, padronizando plataformas, compartilhando sucessos entre as linhas de negócios e revelando novos modelos de receita.

“Um CoE desempenha um grande papel [na empresa] e é um bom ponto de partida para coordenar algumas atividades [operacionais e industriais]”, disse Jeavons.

3 exemplos de organizações que possuem CoEs

O desenvolvimento de um Centro de Excelência de Inteligência Artificial tem vários objetivos. Abaixo, confira três companhias que desenvolveram um CoE para transformar seus negócios.

1. QTS
QTS opera 26 data centers ao redor do globo. Com o negócio em crescimento, a QTS encontrou dificuldade em garantir eficiência em processos analógicos desses centros.

Por exemplo, um engenheiro precisava visitar todos os equipamentos. Depois, escrevia manualmente em uma prancheta sobre o status de determinada máquina e assinava no documento que estava “tudo bem”.

A mudança desse cenário veio com a criação do QTS Innovation Lab, em que todo o sistema agora é gerenciado e operado por uma Inteligência artificial, que integra plataformas de terceiros. Isso permitiu centralizar a governança e prover uma experiência digital em todo o portfólio da companhia.

2. General Electric
A General Electric já possuía um CoE, mas focado no centro de pesquisa para a criação de gêmeos digitais do maquinário. Um segundo centro foi criado para impulsionar a transformação digital nas unidades de negócio, que precisavam se concentrar em necessidades imediatas.

Como essas áreas não possuem um conhecimento aprofundado em IA, a General Electric usa o CoE para criar hipóteses, reunir talentos e solucionar algum problema nessas unidades. Atualmente, a equipe trabalha nas causas do aumento de custos da garantia dos produtos.

3. Shell
A Shell quer ser uma empresa movida a IA e, além de fornecer sensores de IoT para seus clientes, a companhia buscou também capacitar seus talentos. Desde a criação do CoE, ela fechou parcerias para fornecer cursos a colaboradores interessados em IA.

As primeiras turmas contaram com 30 pessoas e hoje já são mais de 4 mil. Para Shell, é uma oportunidade de entender como incorporar a Inteligência Artificial nos processos, melhorando os ambientes da companhia, resultando em melhor serviço aos clientes.

Principais destaques desta matéria

  • Centro de Excelência de Inteligência Artificial vai centralizar o uso da tecnologia.
  • Isso permite escalar a tecnologia na empresa, assim como encontrar novas formas de receitas.
  • Confira 3 exemplos de empresas que desenvolveram um CoE para transformar seus negócios.

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