Inteligência Artificial

Brasil investirá em seis Centros de Inteligência Artificial nos próximos anos. Conheça

18/05/2021

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Parceria público-privada irá apoiar centros de inteligência artificial no desenvolvimento de soluções para saúde, agricultura, indústria e cidades inteligentes

Seis instituições brasileiras foram selecionadas numa chamada de proposta para desenvolverem Centros de Inteligência Artificial. Os vencedores do edital, fruto de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o CGI.br, foram anunciados no início de maio.

Os Centros de Pesquisas Aplicadas (CPAs) em Inteligência Artificial irão focar na produção de soluções voltadas para as áreas de saúde, agricultura, indústria e cidades inteligentes. Para isso, irão receber um aporte de R$ 1 milhão nos próximos 10 anos das três entidades públicas. A mesma quantia também será disponibilizada por empresas privadas, totalizando R$ 20 milhões.

Em matéria publicada na Agência FAPESP, site de notícias da fundação, o ministro Marcos Pontes disse ter sonhado com a Inteligência Artificial no país: “não podemos perder o trem da história”. Com 19 propostas de CPAs submetidas na primeira chamada, a expectativa, segundo Pontes, é que futuramente dois novos centros sejam selecionados a partir de um novo edital.

Os seis Centros de Inteligência Artificial selecionados foram:

  1. CPA Inteligência Artificial Recriando Ambientes (IARA), no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP).
  2. Centro de Inovação em Inteligência Artificial para a Saúde (CIIA-Saúde), no Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
  3. Brazilian Institute of Data Science (BIOS), na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC-Unicamp).
  4. Centro de Excelência em Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial para a Indústria, no Senai/Cimatec (Bahia).
  5. Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial para a Evolução das Indústrias para o Padrão 4.0, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
  6. Centro de Referência em Inteligência Artificial (Cereia), na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Confira abaixo mais sobre os objetivos de cada centro com a tecnologia.

1. IARA

O IARA, apesar de ter sede em São Carlos, cidade do interior de São Paulo, contará com pesquisadores espalhados por todo o Brasil. A expectativa é desenvolver soluções voltadas para cidades inteligentes baseadas em cinco aspectos: cibersegurança, educação, infraestrutura, meio ambiente e saúde.

“A principal premissa do IARA é estimular a criação de cidades inclusivas e sustentáveis, em forte consonância com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas”, disse André Carvalho, coordenador e pesquisador principal do IARA  e vice-diretor do ICMC, ao site G1.

Os ODS da ONU preveem a diminuição da desigualdade socioeconômica e, para este desafio, Carvalho acredita no uso responsável da Inteligência Artificial. O pesquisador também cita a privacidade dos usuários e como lidar com ela em meio ao grande volume de dados gerados.

A ideia do IARA é implementar, analisar e validar soluções em cidades, como Canaã dos Carajás (PA), a primeira que firmou convênio para se tornar um laboratório aberto para o CPA.

2. CIIA-Saúde

O CIIA-Saúde busca pesquisar e desenvolver técnicas e soluções de Inteligência Artificial focadas na melhor qualidade de vida. Com isso, os pesquisadores querem auxiliar toda a cadeia relacionada ao bem-estar: do autocuidado ao diagnóstico e tratamento precoce, passando por ações de prevenção e de assistência à saúde.

O CPA com sede na UFMG vai atuar a partir de cinco eixos:

  1. Prevenção e qualidade de vida.
  2. Diagnóstico, prognóstico e rastreamento.
  3. Medicina terapêutica e personalizada.
  4. Sistemas de saúde e gestão.
  5. Epidemias e desastres.

Para todos esses eixos, as pesquisas com Inteligência Artificial irão se concentrar em ética e valores humanos, modelos e algoritmos, gerenciamento e engenharia de dados e sistemas computacionais. Outro destaque do centro é empoderar os profissionais de saúde com novas tecnologias.

“A nossa lógica é a de que o profissional de saúde, ciente e proficiente em Inteligência Artificial e utilizando essas tecnologias, vai fazer mais e melhor. Para isso, praticamente tudo que se refere à tecnologia tem que ser repensado para levar essas novas dimensões em consideração”, disse Wagner Meira Júnior, chefe do Departamento de Ciência da Computação (DCC), ao site do DCC.

3. BIOS

O BIOS da Unicamp (SP) vai trabalhar seu CPA a partir de uma abordagem interdisciplinar com base em três trilhas:

  1. Saúde, em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas.
  2. Agronegócio, envolvendo a Faculdade de Engenharia Agrícola e do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, todos da Unicamp.
  3. Algoritmo, dedicada à metodologia, ao estudo dos algoritmos e das bases teóricas e técnicas utilizadas em Machine Learning e Inteligência Artificial.

“Essa terceira trilha serve de base para as outras”, destaca João Marcos Romano, docente da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) e atual Pró-Reitor de Pesquisa, ao site da Unicamp.

4. CPA para Indústria

Liderado pelo Senai/Cimatec (BA), o CPA contará com a participação de vários outros Institutos SENAI de Inovação (ISI). O objetivo é fomentar o uso de Inteligência Artificial e Internet das Coisas (IoT) nas indústrias brasileiras.

Enquanto o Senai/Cimatec irá focar em uma plataforma digital aberta de ciência de dados e Inteligência Artificial para a Indústria 4.0, um grupo de Institutos Senai de Inovação (ISI), entre eles o de Sistemas Virtuais de Produção da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, terá como meta desenvolver “aplicações de sistemas virtuais, realidade aumentada e gêmeos digitais”, segundo publicação no site da instituição.

5. Inteligência Artificial aplicada à Indústria 4.0

O CPA do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (SP) pretende usar a Inteligência Artificial no “monitoramento e controle em tempo real, gêmeo digital, interoperabilidade e integração da cadeia, sistemas autônomos, robótica e máquinas-ferramentas, entre outros”, destaca o site da FAPESP.

Uma matéria no site do IPT ainda afirma que a expectativa é “equipar o setor produtivo nacional com ferramentas avançadas, desenvolvendo e disponibilizando aplicações de IA que concorrerão para a implantação e consolidação da Indústria 4.0 no país”.

O Centro de Inteligência Artificial envolverá ainda parceria com instituições nacionais e estrangeiras, como o Instituto Fraunhofer da Alemanha, University Southern Denmark (Dinamarca), Universidade Politécnica da Catalunha (Espanha), Universidade do Minho em Portugal e RWTH Aachen University, na Alemanha.

6. Cereia

O centro da UFC focará em projetos na área da saúde e irão envolver, além da Inteligência Artificial, outras tecnologias como Big Data. O intuito é encontrar soluções para diagnóstico, prevenção e terapia de baixo custo.

Além das parcerias com outras instituições de ensino do Ceará, Rio de Janeiro e Piauí, o Cereia também terá uma empresa privada, que entrará como stakeholder dos projetos em contrapartida aos investimentos públicos.

“Toda essa inteligência da UFC será direcionada a pesquisas com aplicações tangíveis que, considerando a capilaridade da rede de atendimento do nosso parceiro privado, trarão impactos significativos para a saúde do povo cearense, em primeiro lugar, mas também com alcance nacional e internacional”, comentou Rodrigo Porto, pró-reitor-adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação, ao site da UFC.

Principais destaques desta matéria

  • Chamada divulgou projetos vencedores para criar Centros de Inteligência Artificial.
  • Seis instituições foram selecionadas pelo edital da FAPESP, MCIT e CGI.br.
  • Centros receberão aporte financeiro de entidades públicas e privadas para fomentar a IA em diversas indústrias.

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