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O uso da Edge Computing na transformação digital do setor da saúde

25/06/2021

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Especial do MIT Technology Review aborda exemplos de como o setor da saúde pode aproveitar benefícios reais da edge computing.

A transformação digital no setor da saúde sempre foi considerada lenta. O motivo? Enquanto outros setores podem se dar o luxo de correr riscos, clínicas, hospitais e outras empresas do segmento precisam lidar com um grande volume de dados pessoais.

Isso impacta até mesmo em como o processamento desses dados ocorrem. Geralmente, eles trafegam até um servidor na nuvem, são transformados em informação e depois enviados para uma aplicação ou sistema dentro das empresas.

Na prática, é uma dinâmica que leva alguns segundos ou minutos. Contudo, o setor da saúde exige respostas rápidas e ágeis e segundos não podem ser uma opção. Qual a solução, então? Edge computing ou computação de borda.

Esse foi o tema de um especial do MIT Technology Review, que abordou as oportunidades do setor com a tecnologia. Ou, como Paul Savill, vice-presidente sênior de gerenciamento de produtos e serviços da empresa de tecnologia Lumen, falou à publicação: “o céu é o limite.”

Confira alguns tópicos de destaque do especial.

Os dados gerados por dispositivos médicos

Parece clichê escrever que a pandemia de COVID-19 impulsionou a transformação digital em diversos setores. Quando se trata do da saúde, muitas instituições precisavam acessar os dados por diferentes ferramentas digitais – seja para diagnóstico, rastreamento ou tratamento.

Aqui no Brasil podemos citar como exemplo o Sistema Único de Saúde (SUS). A jornada de digitalização do SUS ocorreu com a migração dos dados para uma nuvem pública. O intuito era possibilitar uma integração entre ferramentas e unidades de saúde para melhorar alguns pontos, como o atendimento ao cidadão, a precisão no diagnóstico e a eficiência na gestão.

No geral, desde 2020, outras instituições de saúde precisaram se tornar digitais. Por sorte, muitas tiveram o apoio de tecnologias emergentes como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e robótica.

São tecnologias que, aplicadas a sensores e dispositivos conectados, permitem que essas instituições consigam lidar com os dados mais próximos desses equipamentos. A vantagem é que, quando processados na borda, a baixa latência entrega dados em tempo real e sem delay.

Daí a importância dos dispositivos médicos conectados no fomento da computação de borda. Uma pesquisa da consultoria Deloitte, compartilhada no especial, mostrou que esse mercado global deve chegar a US$ 122 bilhões em 2022.

Edge computing na transformação da saúde

A vantagem da computação de borda está no processamento e a análise de dados próximos a um ativo digital: um sensor de batimentos cardíacos, um vestível, ou qualquer outro dispositivo que consiga se conectar à internet.

Até então, muitas empresas do setor da saúde usam uma nuvem centralizada ou uma infraestrutura local para processar os dados. São duas opções que têm a mesma qualidade que a edge computing, mas possuem problemas de latência e uso massivo de largura de banda.

Vamos supor que um paciente tenha problemas cardíacos e respiratórios e precise ser monitorado remotamente. A melhor decisão para um tratamento só é possível quando os dados chegam em tempo real, no caso, com a computação de borda.

“Se todas essas informações levassem vários segundos ou um minuto para serem processadas em outro lugar, seriam inúteis”, comentou Arun Mirchandani, consultor em transformação digital na área de saúde, ao MIT.

Essa nova dinâmica ágil fornece algumas oportunidades para o setor, exemplifica Paul Savill. O executivo comentou que muitas instituições conseguem reduzir o custo ao transferir testes e tratamentos para drogarias.

“Muitos cuidados com os pacientes agora acontecem em drogarias de varejo, sejam exames de sangue, exames de imagens ou outras avaliações”, comentou. Se elas fazem uso da tecnologia, é possível processar ali mesmo o resultado, entregando-o ao paciente em tempo real.

Isso vale com cirurgias robóticas. Com a chegada do 5G, a pessoa responsável pela cirurgia terá um feedback sensorial de forma quase instantânea. “Isso não é possível de outra forma senão por meio de tecnologias como computação de ponta e 5G”, explicou Paul.

Segurança da tecnologia ainda é um desafio

A segurança da informação e dos dados é um desafio ainda enorme para o setor da saúde. Muito devido às leis regulatórias – como a LGPD no Brasil – existentes em diversos países. No caso da computação de borda, há uma questão que pode afetar a adoção generalizada da tecnologia.

Por exemplo, se um dispositivo IoT com poder de processamento interno é invadido, o hacker consegue sequestrar apenas os dados que estão nele – como já explicamos nessa publicação do Mundo + Tech.

No entanto, as empresas não usam somente um único dispositivo IoT e ele está integrado a um ecossistema maior, que conversa com outros sensores, plataformas, sistemas, serviços em nuvem e internet.

“Deve haver quase 100% de garantia de que as informações geradas por um monitor cardíaco, oxímetro de pulso, monitor de glicose no sangue ou qualquer outro dispositivo não serão interceptadas ou interrompidas de nenhuma forma”, disse Mirchandani.

O consultor acredita que a edge computing, quando combinada com os padrões e ferramentas de segurança corretos, tornam-se mais seguras e confiáveis do que uma empresa implementar por conta própria um ambiente local.

“Trata-se de compreender todo o cenário de ameaças até o nível da rede.”

– Paul Savill

Por fim, apesar do desafio de garantir a segurança em todo o ecossistema, os especialistas ouvidos pelo MIT acham que a computação de borda vai resolver problemas do setor da saúde que a computação em nuvem não consegue.

“No curto prazo, a edge computing resolverá os desafios espinhosos de saúde em torno de aplicativos de análise de dados e reconhecimento de voz em tempo real”, disse Mirchandani, complementando que a interoperabilidade dos sistemas abre novos casos de uso da tecnologia.

Principais destaques desta matéria

  • Edge Computing (ou computação de borda) pode transformar o setor da saúde.
  • Muito porque os dados serão processados na ponta, levando informação em tempo real às instituições.
  • Isso vai permitir monitorar remotamente e com assertividade pacientes e até mesmo possibilitar cirurgias robóticas.

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