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30 anos da World Wide Web quais os desafios da rede para o futuro

30 anos de WWW e quais os desafios para o futuro| Mundo + Tech

Principais destaques:
– Rede mundial de computadores completa 30 anos com evento para revisar pontos positivos e negativos da web;
– Tim Berners-Lee, criador da Web, se preocupa com aumento da desinformação e sordidez;
– Atividades maliciosas, projetos duvidosos e discussões agressivas ou polarizadas são prejudiciais à rede;
– Criador da Web defende rede aberta para limitar mau comportamento do governo, de empresas e de usuários.

A rede mundial de computadores (WWW, sigla em inglês para World Wide Web) completa 30 anos com o desafio de fortalecer a transparência e as ameaças aos dados das empresas e usuários. Em entrevista exclusiva ao site da BBC, Tim Berners-Lee, pai da Web, disse estar “preocupado com a proliferação de desinformação e sordidez”.

O físico britânico participou, nesta terça-feira (12), de um evento da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, sigla em inglês) em comemoração aos 30 anos da Web e revisou pontos positivos e negativos da rede mundial de computadores.

Em seu discurso, Berners-Lee citou que a web é capaz de ser um ambiente democrático. “Quando a sociedade acredita no impacto de algo positivo da rede, isso é ciência. Quando ela sabe o que fazer com isso, é democracia”. Mas ele afirmou que faltam mecanismos que identifiquem o mau uso da rede. “Não temos sistemas funcionais ainda que nos façam tomar decisões democráticas do que fazemos na rede.”

World Wide Web e Internet

Antes de abordar os desafios da rede mundial de computadores, é preciso entender que ela e a internet são coisas distintas. Antes da World Wide Web, a internet já existia e permitia a leitura de notícias e troca de mensagens por meio de interfaces de texto.

A rede mundial de computadores desenvolvida por Berners-Lee é um protocolo para que os navegadores tenham acesso às informações disponíveis nos sites. Essas páginas podem conter textos, imagens e vídeos e podem estar conectadas à outras. Mais da história da criação da Web você pode ler no Google Arts & Culture (artigo em inglês).

Essa estrutura de páginas conectadas é o que forma a internet, que concentra parte das informações compartilhadas na rede mundial de computadores. Os dispositivos móveis e a Internet das Coisas (IoT) utilizam arquitetura e ecossistema diferentes.

O sentido de “navegar na internet” mudou bastante com o usuário utilizando cada vez mais aplicativos nos smartphones – Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, entre outros. Mesmo assim, essas aplicações ainda conversam com as informações armazenadas na Web.

É nessa troca de informações que Berners-Lee mostra que os usuários estão mais atentos em como os dados podem ser manipulados. Em entrevista ao site da BBC, ele usou como exemplo o escândalo da Cambridge Analytica. A empresa britânica foi acusada de utilizar informações de 87 milhões de usuários para fins políticos – do total, 443.117 mil foram de brasileiros.

O que prejudica a World Wide Web hoje?

Berners-Lee divulgou uma carta aberta na segunda-feira (11) e listou três movimentos que prejudicam a web:

  • Atividades maliciosas como hacking e assédio;
  • Projetos de design duvidosos: modelos de negócios que recompensam cliques;
  • Consequências não intencionais: discussões agressivas ou polarizadas.

A segurança da informação é um tema bastante recorrente em meio às inovações apresentadas para as empresas e usuários. Em fevereiro, um megavazamento de dados expôs mais de 845 gigabytes de e-mails e senhas e recentemente uma violação de dados atingiu 383 milhões de hóspedes da rede de hotéis Marriot.

Qual a solução, segundo Berners-Lee?

O pai da Web defendeu uma rede aberta como uma solução para uma internet descentralizada e democrática. Para isso, é preciso criar novas legislações e sistemas para limitar o mau comportamento online como soluções.

Mas para Berners-Lee, isso só será possível quando usuários, governos e empresas trabalharem juntos para contribuir para “o bem público e se levantem para proteger a internet aberta”, escreveu o físico na carta.

Ele citou também iniciativas como o Contract for the Web. O projeto, lançado em 2018, é um esforço para reunir governos, empresas, sociedade civil e usuários da Web para realizar um mapeamento de como a rede pode ser um bem público para todo o sistema.

De fato, é preciso um olhar mais crítico para o fluxo de informações gerado na rede. Do lado das empresas, muitas acabam se envolvendo em episódios de falhas de segurança ou até mesmo com seus CEOs e outros executivos falando mais do que deveriam nas redes sociais.

Os usuários já têm ciência de como as empresas lucram com as informações compartilhadas por eles na internet e aplicativos, mas como criar e manter um ambiente harmonioso para ambos os lados? A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais será uma das saídas para isso? As respostas só virão com o passar do tempo.

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