Imagem do buraco negra gerada por um algoritmo criado pela cientista Kaite Bouman

Como uma mulher ajudou a projetar a primeira imagem de um buraco negro

Principais destaques:
– Primeira imagem de um buraco negro foi divulgada semana passada;
– Time de mais de 200 cientistas criaram um telescópio virtual para registrar buraco negro;
– Cientista Katie Bouman criou o algoritmo que ajudou a analisar os dados obtidos pelo satélite;
– Após seis anos de trabalho, Bouman conseguiu finalizar a imagem digital do buraco negro;
– Mundo + Tech destaca mais mulheres que fizeram história na ciência e tecnologia.

A primeira imagem já vista de um buraco negro foi divulgada na semana passada, e junto a isso um nome ganhou destaque: Katie Bouman. A PhD em Engenheira Elétrica e Ciência da Computação publicou uma foto em um perfil de uma rede social mostrando emoção ao ver a descoberta aparecer na tela de seu computador.

Ao portal da revista Time, Bouman deixou claro que o esforço foi coletivo. Ao todo, 207 cientistas de diversos países liderados pela Universidade de Harvard, entre eles 40 mulheres (uma delas brasileira), participaram do projeto. Mas é preciso reconhecer a representação feminina na ciência e tecnologia. Segundo a Unesco, apenas 30% dos pesquisadores mundiais são mulheres.

Como eles conseguiram capturar a imagem do buraco negro?

O buraco negro encontra-se na Galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra (1 ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros). O primeiro desafio dos cientistas foi montar uma rede de oito radiotelescópios, espalhados ao redor do universo. Para conseguir captar as imagens, os pesquisadores construíram um telescópio virtual do tamanho da Terra.

Nos dias 5, 6, 10 e 11 de abril de 2017, todos os radiotelescópios apontaram para um ponto do buraco negro localizado na direção Constelação de Virgem. Após o registro, a missão dos cientistas era analisar as ondas emitidas ao redor dele. Para isso, tecnologias, computadores e algoritmos que pudessem processar a quantidade enorme de dados foram criados.

Katie Bouman contribuiu com o desenvolvimento de um algoritmo, entre os vários utilizados para o projeto, para calcular todos esses dados – na casa do petabyte (1.024 terabyte). O trabalho da cientista, que começou há seis anos, resultou na imagem do buraco negro. O perfil do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT, em inglês) no Twitter fez um post comparando a quantidade de drivers que compilam os dados deste trabalho com a foto de Margaret Hamilton e o código que ela escreveu em um projeto da Nasa que levou o homem à Lua.

No vídeo abaixo, exibido em 2017, Katie Bouman explicou como estávamos perto de finalmente retratar um buraco negro.

Outras mulheres de destaque na ciência e tecnologia

Não é de hoje que mulheres contribuem para a ciência e tecnologia. No Dia da Mulher, o Mundo + Tech reuniu alguns nomes que foram pioneiras na inovação e de iniciativas que querem levar mais mulheres ao mercado de TI.

Em 2019, não foi só Katie Bouman que fez história. Uma engenheira do Google ganhou destaque, em março deste ano, ao quebrar o recorde de cálculo do π (Pi). Emma Haruka, engenheira e pesquisadora da gigante da tecnologia, calculou 31,4 trilhões de dígitos para a proporção numérica. O feito aconteceu exatamente no Dia do π (Pi), comemorado em 14 de março.

Recentemente, o site Universa trouxe a história de outra mulher que revolucionou a tecnologia: a atriz Hedy Lamarr. Embora ela seja conhecida mais por seus papeis no cinema, a austríaca criou a tecnologia do Wi-Fi na década de 1940. Porém, o “salto de frequência”, como a solução era chamada, só ganhou visibilidade em 1962 durante a Crise dos Mísseis. O reconhecimento de Lamarr pela invenção só veio em 1997, quando a atriz já tinha 80 anos. Hoje, a invenção de Hedy Lamarr está presente em satélites de GPS, Wi-Fi e Bluetooth.

Crédito da imagem: Event Horizon Telescope Collaboration

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