Primeiro vem a inovação, depois as melhorias

Em todos os eventos e ambientes que reúnem executivos do País e do mundo não se fala em outra coisa: a transformação digital está inserida nas discussões e nas intenções das empresas. Diante disso, já é certo que o caminho tem uma única direção no sentido da adaptação obrigatória. Mais do que infraestrutura e condições financeiras, o que ainda trava o processo é o receio de mudar.

A necessidade de vencer esse desafio e garantir a presença das marcas no futuro é o tema abordado pelo diretor-executivo de Soluções Digitais da Embratel, Mário Rachid, na entrevista a seguir.

O que é fundamental, neste momento, para a gestão eficiente e sustentável de um negócio?
Mário Rachid: A gestão eficiente é a base para o sucesso dos negócios. Neste momento de crise econômica e turbulência política, ou seja, de incertezas, ela se torna ainda mais primordial. Para que uma gestão seja eficiente e sustentável, é preciso atuar em pontos centrais do negócio, e não por espasmos. Quero dizer que deve existir um planejamento estratégico e regras bem definidas para serem seguidas e acompanhadas. Isso se faz com controle (sem grandes excessos), disciplina e criatividade – e neste último item entra a tecnologia. O uso correto da tecnologia pode fazer com que a gestão eficiente se torne sustentável e alcance os objetivos de maneira mais rápida e com menos custos.

O que é tecnologia para você?
MR: Se usarmos uma das definições clássicas da palavra “tecnologia”, veremos que tecnologia é a aplicação do conhecimento técnico e científico na transformação do uso de ferramentas, materiais ou processos. Aproveitando essa definição, tecnologia, para mim, é qualquer forma de conhecimento que usamos para transformar a nossa vida, o nosso cotidiano e as nossas empresas.

De que maneira você enxerga as mudanças provocadas pela tecnologia?
MR: Enxergo de maneira positiva. A tecnologia nos faz ver e descobrir coisas que levaríamos anos, décadas para alcançar. Sem a tecnologia não teríamos a qualidade de vida que podemos ter hoje. As nossas empresas não poderiam produzir tanto e nós teríamos menor produtividade. Ou seja, a tecnologia usada para o bem sempre será algo que mudará a nossa civilização para melhor.

Por que os líderes têm medo das mudanças?
MR: A maioria dos seres humanos é avessa a mudanças. Talvez, na liderança, isso seja potencializado, dado o momento em que vivemos. O líder tem medo de ousar e ser penalizado com a perda de emprego ou de ficar marcado como alguém que errou. E aí está o seu maior erro.

Como superar esses medos e ter um comportamento proativo e corajoso?
MR: A melhor forma de acertar é errar e aprender com os seus erros. O que é ideal: desenvolver um produto durante algum tempo – de seis meses a um ano – para chegar a uma solução sem erros, mas que já existe no mercado ou tentar inovar e conseguir um resultado sólido em um ou dois meses, ainda que com diversos pontos de melhoria, porém que não existe no mercado? Certamente, a segunda opção proporcionará a chance de inovar e fará com que os seus clientes o ajudem a desenvolver um produto melhor. Na minha opinião, um líder deve pensar dessa forma. Lembrando que ser proativo não é ser ansioso e que ser corajoso não é fazer qualquer coisa a qualquer preço.

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