Para um país grande e sem fronteiras de conexão? Satélites!

Até o fim de 2018, os dispositivos conectados à Internet nas casas brasileiras podem movimentar quase R$ 2 bilhões, um crescimento de 43% em comparação ao ano anterior. É o recorte de um mercado indiscutivelmente aquecido que, em diversas esferas, abre um leque de possibilidades para modelos de negócios e de novos serviços. Nesse contexto, é preciso boa conectividade. Para isso, nada melhor do que satélites. O combo formado por satélites, Internet das Coisas e 5G é o novo modelo para onde caminha a tecnologia brasileira.

Fábio Alencar, presidente da Abrasat (Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélites) e executivo da Embratel garante que é um “futuro não muito distante” e responde a algumas perguntas nesta entrevista que segue.

Durante o Congresso Latinoamericano de Satélites, no Rio de Janeiro, os painéis trataram sobre a transformação do mercado. Qual o momento do mercado de satélites?

É consenso que o mercado de satélites está no processo de transformação. Nos próximos anos, vivenciaremos inúmeras possibilidades, como satélites de altíssima capacidade e as novas constelações de satélites que abriram caminho para uma diversificação de uso para além das comunicações tradicionais. Elas transformarão a indústria e os modelos de mercado.

Fábio Alencar, Gerente Desenvolvimento de Negócios Satelitais da Star One e presidente da Abrasat.

Que projetos você destaca no Brasil?

Existem projetos novos, com vários tipos de tecnologia, e estamos na liderança, na ponta, como sempre estivemos. Um aspecto muito comentado no congresso foi a verticalização. Em vez de as companhias de satélites trabalharem de forma isolada do restante do mercado, as operadoras estão se integrando à proposta de solução para o cliente. Estamos integrados com os produtos do celular e pensando na expansão das ofertas 4G – mas também em fazer o 5G funcionar plenamente. Queremos cobrir uma Internet das Coisas mais rural, já que a estrutura terrestre nestas regiões é mais onerosa. As demandas são quase que infinitas para os satélites. Todo mundo quer conectividade. Do centro de São Paulo ao interior do Amazonas, o consumidor espera o mesmo nível de qualidade. Precisaremos entregar muita capacidade, de uma forma cada vez mais coordenada, integrada e completa.

Qual o investimento em satélite hoje no Brasil?

O governo brasileiro investiu num satélite próprio para atender ao mercado militar e para cumprir com metas do PNBL, por exemplo com a ideia da execução do programa Internet para Todos. As operadoras de satélite privadas também fizeram grandes investimentos no Brasil. Nós lançamos um satélite de grande capacidade em dezembro de 2016 e lançaremos outro ainda maior em dezembro de 2019, por meio da Embratel Star One. Cada satélite representa investimentos na casa das centenas de US$. Há mais empresas estrangeiras também investindo. O que acontece é uma revisão dos conceitos de projeto de satélites, que eram tradicionalmente desenhados para transmissão de televisão com cobertura nacional e que agora serão otimizados para suportar serviços de internet nos moldes da tecnologia para celular.

A internet terá um preço acessível?

Os novos satélites permitem uma capacidade de transmissão maior num preço cada vez mais próximo do terrestre, o que aumentará a oferta e atenderá uma demanda reprimida do mercado. Há muito investimento no setor, incluindo Claro e Embratel Star One. Olhamos para o futuro para atender o aumento da demanda com a implantação do 5G. O preço unitário só tende a baixar. Queremos ofertar melhores serviço pelo menor custo possível para expandir o uso dos serviços.

O que precisa ser feito para chegarmos lá?

Há ainda desafios com relação ao uso do espectro de 3,5 GHz, questões tributárias e do próprio mercado brasileiro, mas o país tem todas as características que o mercado de satélites procura e propõe resolver: pela sua extensão e pela dificuldade de chegar até determinadas localidades, seja por conta das dificuldades de infraestrutura logística seja própria geografia. Pensamos nos lares e nas empresas cada qual com suas necessidades específicas. Os Estados Unidos são uma referência para o setor. O mercado sempre é pioneiro no uso de tecnologia e por ser também um país de grande extensão a solução satélite está presente em larga escalae pode servir de exemplo para nós.

Esse cenário tende a alterar a nossa forma de consumir conteúdo?

Sem dúvidas. Você consegue dar mais ofertas ao cliente, levar diversos pacotes ao consumidor. Pode ofertar o que existe nas grandes cidades no interior do Brasil. Isso nivela o tipo de produto e os preços aplicados. Trata-se de uma conectividade sempre disponível, transparente, independentemente da cidade, seja na área urbana ou rural, ou até mesmo se a pessoa estiver voando ou em uma ilha longe da costa. A possibilidade de estar conectado em qualquer lugar, sem o atraso de rede e com aumento da velocidade, facilita até novos padrões de trabalho, como o home office mais frequente. Você também tende a acabar com os custos de roaming. Esse tipo de barreira tende a desaparecer, você elimina fronteiras.

Qual a previsão para utilizarmos isso tudo?

Acreditamos que este ambiente já estará em operação comercial em 2022. As primeiras ações neste sentido já estão chegando em 2019 e 2020, mas ainda serão embrionárias.

Agora uma curiosidade, e o lixo espacial que o satélite pode gerar, precisamos nos preocupar?

O satélite geoestacionário não produz nenhum risco significativo de lixo espacial; as constelações de baixa órbita, por sua vez já exigem um controle maior. Mas não há o risco de cair nas nossas cabeças, por exemplo, ou te poluirmos o espaço como poluímos os oceanos atualmente. Elas apenas deverão exigir um cuidado maior na sua operação, similar a um controle de tráfego aéreo mas ainda assim não representará um risco ao planeta e seus habitantes.

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