O cérebro por trás da Internet das Coisas

Como o Edge Computing vai revolucionar os negócios e redefinir as estruturas de TI

Até 2020, 30 bilhões de ‘coisas’ estarão conectadas em todo o mundo, segundo aponta o IDC, provedor de inteligência de mercado para o setor tecnológico. A iminente chegada da Internet das Coisas não muda apenas a forma como produzimos, cuidamos da saúde e tomamos decisões, ela também estimula o surgimento de uma nova estrutura tecnológica, o Edge Computing.

Nesta tecnologia, os dados gerados pelas coisas conectadas são processados pelos próprios dispositivos ou muito próximos deles – na borda, como o nome sugere. A aplicação diminui drasticamente a latência da operação, até então centralizada em cloud, gerando um tempo de resposta quase instantâneo, condição essencial para a evolução da IoT (Internet of Things).

Pode parecer exagero, mas quando se fala em ‘coisas empoderadas’, cada milissegundo importa. Impossível dimensionar os danos causados por falhas de conexão ou latência alta em um mundo operado por veículos autônomos, semáforos inteligentes e elevadores conectados. Ainda sobre a preciosidade do tempo de  resposta, considere uma fábrica com dezenas de máquinas compostas por centenas de peças: um único dispositivo falho tende a gerar perdas expressivas a cada piscar de olhos, impactando toda a linha de produção.

Além da velocidade, especialistas apontam outros ganhos em favor da solução, como a redução de custos com transmissão de dados e maior controle da segurança cibernética, uma vez que o Edge proporciona a análise local dos dados antes do envio para a nuvem pública. Cloud continuará existindo e operando de acordo com suas competências. Trata-se, portanto, da evolução para uma arquitetura mais distribuída, conforme avalia Mário Rachid, Diretor Executivo de Soluções Digitais da Embratel.

“As tecnologias se completam. Enquanto o Edge Computing resolve problemas de latência e largura de banda nas aplicações em que o tempo de resposta é fator determinante, a Cloud atua de forma efetiva em atividades mais pesadas, tendo em vista análises de grande porte e backup de dados”, explica.

Mário Rachid aconselha ainda que, diante dos desafios que as novas tecnologias impõem, as empresas busquem parceiros especializados, capazes de desenhar e implementar arquiteturas personalizadas. O Edge Computing tende a tomar várias formas diferentes, atendendo aos requisitos exclusivos de cada setor. As aplicações podem ser móveis (controle de cargas e veículos), estáticas (monitoramento de plataformas petrolíferas e iluminação pública) e até mistas (soluções casadas para as áreas de saúde e agronegócio).

E se o futuro próximo é promissor em inovação, o mercado não fica atrás. O IDC estima que os gastos globais com Internet das Coisas superem US$ 1 trilhão em 2020. Ainda de acordo com o instituto, 18% dos investimentos com infraestrutura serão destinados a soluções de Edge. Para a Mckinsey, a IoT causará o maior impacto na economia até 2025, entre as tecnologias disruptivas.

No Brasil, a IoT vai movimentar pelo menos US$ 8 bilhões só neste ano. A previsão tem como base iniciativas estimuladas pelo Plano Nacional de Internet das Coisas (MCTIC e BNDES), que apoia o desenvolvimento tecnológico principalmente nas verticais Cidades, Saúde, Rural e Indústria.

No mercado doméstico, estima-se que 4% das residências brasileiras já possuam algum tipo de dispositivo conectado, mas ainda há uma grande demanda não atendida e interesse por parte da população.

Veiculado em: Valor Econômico - 23/04/2018

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