Mais segurança e confiança na rede

Setor financeiro é alvo do cibercrime, mas avanços nas ferramentas de controle barram ameaças sem prejuízo para os clientes.

Qual foi a última vez que você foi a um banco? Se faz tempo, você está com a maioria. Levantamento feito pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostrou que em 2016 57% das transações bancárias no país foram feitas de forma digital, por meio do internet banking e principalmente por aplicativos, segmento que não para de crescer.

O total de transações via “mobile banking” dobrou de 2015 para 2016 e representou 33,4% do total. O número de contas 100% digitais (em que o cliente não vai à agência nem para abri-las) também avança. Antes oferecidas apenas por pequenos bancos e corretoras, agora estão no cardápio dos gigantes. A previsão, conservadora, era ter mais de 3,3 milhões dessas contas até o fim do ano passado.

Sempre que o tema é migração para o mundo digital, uma pergunta vem acoplada: as operações são seguras? Em se tratando de dinheiro, a preocupação é ainda mais óbvia. As instituições financeiras estão no topo dos interesses de cibercriminosos. Levantamento feito no Reino Unido mostrou 2,5 milhões de ataques ao seu sistema bancário em um ano. A boa notícia é que quase todos foram neutralizados pela ação de sistemas de segurança.

“Hoje, o universo digital está mais aberto, com conteúdo armazenado em nuvens. Mas a tecnologia também avança para dar mais segurança aos usuários e às empresas. Os serviços previnem ataques, identificam as ameaças e fazem o bloqueio delas”, diz Antônio João Filho, diretor executivo comercial mercado financeiro da Embratel.

 

Deep e dark web são a parte da internet que não pode ser acessada por meio de ferramentas de busca comuns. A dark web é composta por páginas, sites, comunidades e redes de computadores intencionalmente escondidos para preservar o anonimato dos participantes e para a prática de crimes. Como há cada vez mais pessoas integradas digitalmente no mundo, principalmente por meio de smartphones – e embarcar soluções de segurança rebuscadas nesses aparelhos os deixariam muito caros – isso exige que o controle esteja ainda mais robusto nos pontos de conexão com a rede. Daí a importância dos serviços de monitoramento e de detecção de vulnerabilidades.

GASTO GLOBAL
Os cibercrimes são um problema global e crescente. Estudo apresentado no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, projeta que eles custarão US$ 6 trilhões em 2021, o dobro do registrado em 2015. Mas, se o crime se espraia e se sofistica, a segurança vai no mesmo caminho e tenta se antecipar a ele. Antes, ocorriam os ataques, espalhavam-se os danos e só então eram buscadas soluções. Hoje, a abordagem é preventiva. São utilizadas ferramentas de análises combinadas com inteligência artificial para deixar o sistema cada vez mais seguro.

“Não se trata de pensar se irá ocorrer um ataque. A questão é quando irá ocorrer e estar bem preparado para enfrentá-lo”, diz Antônio João. E cita um exemplo. A Embratel foi a responsável pelos sistemas de transmissão de vídeo, voz, wi-fi , internet 3G, 4G, segurança digital e data centers na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016, ambas realizadas no Brasil. Durante a Olimpíada, em um só dia, houve ataques do tipo DDoS suficientes para derrubar todo o setor de varejo do Brasil.

Os sistemas de segurança funcionaram e não houve prejuízo aos usuários. É o mesmo que espera o cada vez maior contingente de usuários do sistema financeiro digital.

“Fortalecer a segurança é uma das prioridades dos bancos, porque tanto as instituições financeiras quanto os consumidores são vítimas. O desafio é desenvolver formas de identificação e autenticação que impossibilitem as fraudes sem dificultar o acesso aos serviços”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban. Segundo ele, os bancos brasileiros investem anualmente
R$ 2 bilhões apenas em sistemas de tecnologia da informação voltados para a segurança.

SERVIÇOS QUE AMPLIAM A SEGURANÇA DIGITAL:

1. Anti-DDoS seguram os ataques que vêm por links e que, se bem-sucedidos, derrubam a rede por excesso de demanda.
2. Monitoramento das redes abertas, deep e dark web e a Internet das Coisas para prevenir, identificar e bloquear ataques de cibercriminosos.
3. Análise e identificação de pontos fracos e recomendações para melhorar o desenho da rede, com detecção de vulnerabilidades.
4. Segurança perimetral disponibiliza infraestrutura para analisar o tráfego de dados do cliente e bloquear acessos não autorizados.

Veiculado em: Folha de São Paulo - 20/04/2018

 

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