Cidades Inteligentes

Nove em cada dez brasileiros viverão em áreas urbanas em 2030, segundo projeções da Organização das Nações Unidas. Hoje, essa proporção já está na casa dos 85%, de acordo com o censo do IBGE. Essa concentração populacional traz um enorme desafio para os gestores e apreensão para as pessoas diante dos problemas que acarreta. A boa notícia é que os avanços da tecnologia estão aí para ajudar a melhorar a vida nos municípios, transformando-os em cidades inteligentes.

O conceito de cidades inteligentes se baseia no uso intenso de tecnologias de comunicação e informação para planejar o espaço urbano, detectar possíveis problemas e ter agilidade para solucioná-los. Envolve o setor público e também empresas responsáveis por serviços como o fornecimento de água e de energia elétrica, transporte e limpeza, entre outros.

A ideia se baseia em quatro pilares: monitorar os serviços utilizando sensores -que são conectados a uma central por meio de cabos, fibra ótica, pela internet e pela rede de celulares-, analisar os dados coletados, encontrar soluções imediatas para os problemas e desenvolver estratégias para evitar que eles se repitam.

Tecnologia conecta equipamentos, coleta e analisa dados e permite solução mais rápida para os problemas em áreas urbanas cada vez mais populosas

 

Um exemplo prático pode ser dado pelo sistema de fornecimento de água. O recente racionamento em São Paulo e em outros Estados mostrou a gravidade do problema. Ainda assim, o país convive com taxas de perda de água tratada muito mais altas que as registradas em outros países. Em São Paulo, 34% da água já tratada não chega às torneiras dos moradores que pagam por seu uso. Na média brasileira, o índice alcança 37%, bem acima do registrado em cidades europeias (abaixo dos 10%).

A perda ocorre devido a vazamentos, rompimento de adutoras ou ligações clandestinas. O uso de sensores, distribuídos ao longo da rede e conectados a uma central, pode monitorar essas perdas, mostrando onde ocorrem e indicando as soluções para os problemas antes que eles sejam detectados pela população.

Isso proporcionaria redução do custo e melhoria no serviço, com menos interrupções e reparos mais ágeis. O mesmo vale para a energia elétrica.

A limpeza pública é outro exemplo. Sensores de volumetria podem indicar quando os bueiros de uma cidade estão próximos da saturação. Com isso, a limpeza pode ser direcionada, em vez de ocorrer por zonas da cidade. Seria priorizada onde o problema se mostra mais grave, evitando assim alagamentos (veja em quadro nesta página alguns outros usos da tecnologia e seus efeitos).

“A tecnologia tem como função principal aumentar a produtividade de uma operação ou de um serviço. Isso é bom para as empresas e para o consumidor final, que se beneficia com um serviço melhor”, afirma Eduardo Polidoro, diretor da Embratel para as áreas de IoT (internet das coisas) e M2M (sistemas de comunicação máquina a máquina).

“A tecnologia, com sua possibilidade de comunicação entre máquinas, é fundamental para a solução de muitos problemas da vida moderna. Ajuda a preservar um bem escasso, como a água, a restaurar o fornecimento de um bem essencial, como a energia elétrica, e a organizar o trânsito e o transporte coletivo, além de ser útil em muitos outros serviços”, afirma Polidoro.

Não há dúvida de que as cidades, cada vez com mais habitantes, vão precisar muito desses aliados.

Fornecimento de água
Sensores na rede de distribuição de água, conectados a uma central, monitoram perdas na rede, ligações clandestinas, rompimentos e pressão ideal do bombeamento.
Efeitos: Com a redução de perdas e a eliminação de ligações clandestinas, tarifa pode ficar mais baixa para o consumidor Detecção precoce de rompimentos agiliza o restabelecimento do fornecimento de água Uso da pressão ideal evita perdas e rompimentos.

Energia elétrica
Sensores conectados a uma central detectam ligações clandestinas (“gatos’’) e interrupção do serviço devido ao rompimento de fios.
Efeitos: Redução de tarifa com a diminuição do “roubo de energia”, restabelecimento do serviço mais rapidamente, sem a necessidade de comunicação da falta de energia feita pelo consumidor.

Trânsito
Semáforos inteligentes, conectados a uma central, informam mau funcionamento, panes etc.
Efeitos: Conserto pode ser bem mais rápido, resolvendo gargalos do trânsito.

Transporte público
A localização dos ônibus e as informações em tempo real das condições do trânsito podem ser trabalhadas para que o usuário, por meio de aplicativos ou nos pontos e terminais, possa saber qual o tempo de espera e de viagem até o seu destino.
Efeitos: Usuário terá de esperar menos nos pontos e poderá se planejar melhor.

Limpeza pública
Sensores volumétricos em bueiros podem indicar aqueles que estão mais sujos e próximos da saturação.
Efeitos: Limpeza dos bueiros pode se dar onde é realmente necessária (“on demand”), não por zonas da cidade. Custo menor para as prefeituras e menor risco de alagamentos.

 

Publicado em: Folha de São Paulo - 23/02/2018

1 comentário para “Cidades Inteligentes”

  1. Sendo prático e não teórico e concordando com o texto acima, podemos dizer que a escolha do sistema de telegestão de iluminação publica que controle os semaforos e medidores de agua e luz resolveriam três dos exemplos dados acima, tudo isso interligado por um software que controle a muralha digital, CFTV, radiocomunicacão Tetra e a telemetria de veiculos, diminuiria muito os disperdicios listados, despencando com as taxas de criminalidade
    Tudo isso é extremamente facil de ser realizado, mas infelizmente a incompetencia do setor publico é imensa e não nos permite viver em cidades com os recursos que as deixariam mais sob controle
    O pior de tudo, é que fazer isso é muito barato e qualquer municipio medio conseguiria apenas com o que gasta hoje, sem precisar aumentar as despesas

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