“A transformação acontece em ondas”

Paulo Venâncio, diretor da Embratel, explica o que é Transformação Digital e conversa sobre como deve ser feita a transição do analógico para o digital no ambiente corporativo

 

É só o universo de atuação ser digital para os números de mercado serem exponenciais. É por isso que que os novos modelos de negócios atingem em meses a adesão que as empresas tradicionais levaram décadas para conquistar. A transformação digital é capaz de expandir os horizontes destas empresas não digitais, oferecendo seus produtos para além dos consumidores à vista, garantindo a manutenção e o crescimento do negócio nos novos ambientes. Para quem é importante este processo e como ele acontece?

O diretor de pré-vendas de Soluções Digitais da Embratel Paulo Venâncio responde estas e outras perguntas na entrevista a seguir:

Como ajudar a transformar uma empresa?

Paulo Venâncio: O processo de transformação passa pelo conhecimento, por um trabalho consultivo para o entendimento não só do status e do estágio atual da empresa, como também como é a experiência de cada cliente no atendimento. Com esses dois principais dados e com o objetivo de onde a empresa quer chegar, do ponto de vista de tecnologia, é possível criar um plano de transformação em ondas, cada uma adequada a um momento da empresa.

O que são estas ondas de transformação?

Paulo Venâncio: São as adoções de tecnologia que permitem que a empresa se prepare para um passo cada vez maior. Ou seja, não adianta eu tentar fazer um trabalho de atendimento ao cliente se eu tenho uma base de informações desorganizada. Eu preciso primeiro ajustar e fazer um trabalho nas bases da minha organização, nos meus canais mais simples de atendimento e aí, na medida que eu vou me preparando nesses canais mais simples, eu posso partir para adoções mais complexas de tecnologia. Então, adoção de tecnologia de computação cognitiva, por exemplo, com uma base, com um conjunto de informações equivocadas ou não bem estruturadas – obviamente a gente pode trabalhar com dados não estruturados – mas não tendo um determinado preparo prévio, a gente acaba tendo um resultado diferente daquele que é esperado, e essa experiência não é boa para o cliente. Esse é o preparo, essas são as etapas e os passos que tem que ser dados até a adoção de uma tecnologia mais emergente, mais de ponta.

Em que estágio deste processo o Brasil está hoje?

Paulo Venâncio: Acho que a grande maioria das empresas já tem noção e informação técnica sobre quais são essas tecnologias e como é que estão os estágios de transformação. O grande ponto é que poucas delas conseguiram atingir um grau de maturidade e de conhecimento suficiente para a adoção da tecnologia, muito poucas conseguiram viabilizar um uso efetivo da tecnologia no negócio. Quando se pensa em uso hoje estamos falando de fintechs, que elas, de fato, conseguem com maior rapidez empregar a tecnologia e o conhecimento a favor da transformação, mas a grande maioria das empresas ainda tem um passo importante a ser dado, que é conhecer internamente o seu problema, conhecer os seus clientes e aí poder se preparar para essa adoção.

Como a Embratel vem fazendo o trabalho de facilitar esse conhecimento?

Paulo Venâncio: A Embratel sempre teve uma veia consultiva no seu trabalho. O próprio DNA da Embratel é consultivo, sem que isso tenha uma oferta específica de serviço de consultoria. A gente tem uma proximidade muito grande com os clientes, o que permite que a gente tenha abertura dos próprios clientes para que o trabalho de identificação, de levantamento, de conhecimento seja feito e a partir daí a gente possa de fato apresentar alternativas, cenários e propostas de melhoria.

Hoje, qual é a principal dificuldade das empresas, uma vez elas tendo acesso ao conhecimento?

Paulo Venâncio: O processo de transformação das pessoas é muito mais difícil que a transformação de tecnologia propriamente dita. Então, esse passo de entendimento, de divulgação e clareza na transmissão, na comunicação dos objetivos da transformação digital, eu acho que ainda são passos que criam uma dificuldade para as empresas evoluírem. O grande desafio ainda está na questão da comunicação interna, da visão corporativa de que a transformação é importante e cada vez mais vital no negócio da empresa.

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